the hands show the way of the heart

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A series of accomplishments

On
December 14, 2020

through shadows clip from Catarina Mourão on Vimeo.


Ultimamente a vida parece-se uma série de sucessos que se tem ou não.

Fico a pensar se será mesmo assim e no que se consegue quando não se faz nada. Como é que cresce uma árvore? E porque razão?

Será que precisa de razões para Ser?

Respondendo a estas inquietações, deixo um pequeno vídeo sobre a Lourdes Castro, partilhado pela Cristina Morais da Newww.


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Lately life seams like a series of accomplishments that one have or not.

I wonder if it's really like this and about what we can do when we do nothing. How does a tree grows? And why?

Does it need reasons to Be?

Answering this questions there's this short film about the Portuguese artist Lourdes Castro shared by Cristina Morais from Newww.



Vision quest

On
August 21, 2020


O caminho da visão.

Alimentar o olhar e a escuta significa perceber que não se sabe ainda nada e assim abrir-se um espaço para a revelação.

Quando chamamos alguém de estúpido dizemos também: eu sei mais do que tu! Mas a verdade é que sabedoria é admitir que o outro pode ter algo para nos ensinar.

Hoje entrei em contacto com uma dor e percebi que até ao meu corpo eu tenho que mostrar humildade.

Se não parar para lhe dizer "Tu estás a ser visto." Ele vai gritar comigo até eu ouvir.

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The path to vision.

Feed the gaze and the ability to listen means learning that one knows nothing and this way a space opens up to the revelations.

Every time we call someone "stupid" we also say: I know more more than you do! Bu the the truth is that knowing more is admitting that the other person might have something to teach us.

Today I got in touch with a pain and I realize that I have to show humility even to my body.

If I don't stop and say "you are being seen." my body will shout until I listen.

Deslumbramento vs Ressentimento

On
April 01, 2020



(photos by Bruno Grilo)

Neste tempo de transformação profunda as relações mais do que nunca ocupam um enorme espaço nas nossas vidas. Seja porque estamos fechados em casa com os nossos companheiros e filhos, seja porque estamos mais próximos dos nossos pais ou porque estamos sozinhos e de uma forma ou de outra temos de aprender a relacionarmo-nos connosco e com os outros de uma nova forma.

Hoje, nas minhas leituras matinais, encontrei uma resposta interessante para as minhas ansiedades. Talvez tudo isto possa ser natural para ti que me estás a ler mas para mim a relação é um ser vivo complexo. Por isso, aproveito para partilhar esta descoberta, na esperança que te traga mais recursos e possibilidades assim como uma maior aceitação deste momento — como me trouxe a mim.

"A fantasia básica que cria emoções voláteis é a crença na existência de apenas um lado em todas as coisas, a busca do positivo sem o negativo ou do prazer sem a dor."

Vivi algumas relações que estavam suportadas por deslumbramento e estas acabaram de forma fugaz e com muita dor — proporcional às minhas expectativas, em boa verdade. 
Hoje em dia, aqui por casa, vamos equilibrando imperfeitamente a expectativa com a aceitação das diferenças. E na maioria das vezes é bem difícil porque observo que ambos queremos que os valores do outro sejam os nossos e que na maioria dos casos, ambos gostamos de ter razão e de levar a nossa ideia avante. No entanto, temos algo importante em comum: queremos cultivar a "produtividade interior" que se traduz na presença, em ver as coisas como elas são — ir além da superfície.

"Os valores são definidos pelo que é realmente importante para si, por aquilo a que você dedica o seu tempo, a sua energia e o seu dinheiro."

Acreditando que a diferença cria equilíbrio, é interessante entender que o ponto central da relação e do amor pode viver exactamente nessas diferenças. É aí que se podem encontrar os maiores desafios e também as maiores possibilidades de crescimento. As relações ideais talvez não sejam necessariamente confortáveis porque nos desafiam a olhar para as coisas que ainda não fomos capazes de amar — nem em nós mesmos nem no outro. Isto, como creio ser óbvio, não quer dizer que tenhamos de ir ao limite daquilo que é tolerável... 

Trago este tema também porque neste momento de isolamento, preocupam-me as relações de violência em que uma das partes se vê totalmente sem saída ou em que as crianças estão expostas a um desrespeito profundo pela sua integridade física e direitos primordiais sem o escape da escola e sem acompanhamento e afecto de professores ou outras entidades.

Numa relação em que existe respeito mútuo pela vontade e pelo corpo do outro pode no entanto haver momentos em que expressamos o nosso amor através dos nossos valores, confiando que cada uma das partes está atenta ao que precisa e que isso resultará em desafios. Mas que se não for desta forma, isso eventualmente resultará em ressentimento.

"Independentemente do quanto tente ser altruísta, durante metade do tempo você estará concentrado nos seus próprios valores. Você tem a sua própria vida e, se a tentar sacrificar por outra pessoa, essa pessoa tomá-lo-á como garantido e diminuirá o seu valor, porque é isso que você está a fazer consigo próprio. Isto significa que vai desafiar e trair os outros e que às vezes se vai mostrar ressentido em relação a eles, e que eles vão fazer o mesmo em relação a si. Isso é normal. Se não compreender isso, sentir-se-á traído sempre que escolher respeitar os valores da outra pessoa mais do que os seus próprios valores. Pode pensar que o amor acabou quando isso acontecer, mas a verdade é que o seu amor acaba de começar, porque o prazer e a dor juntos formam o verdadeiro amor. (...) A evolução máxima acontece quando ocorre um equilíbrio entre apoio e desafio, e, quando derem isso um ao outro, terão uma relação de amor satisfatória. Se não o fizerem, irão aprender uma lição."

Que lições estás a tirar para a tua relação e para ti mesmo durante esta quarentena?

(Citações de John Demartini)