the hands show the way of the heart

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Amor Fati

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November 27, 2025
O "amor pelas coisas como elas acontecem" na filosofia de Nietzsche é expresso pelo conceito de Amor Fati (amor ao destino), que significa:

Abraçar a totalidade da vida, incluindo dores e alegrias, sem querer que nada seja diferente.

Trata-se de uma afirmação ativa da existência, que transforma adversidades em oportunidades de crescimento, em que, vez de as rejeitar ou negar, o sujeito busca ser o autor da própria vida e encontrar sentido em todas as suas experiências.

Amor Fati em Nietzsche:

Aceitação Radical: A expressão Amor Fati significa "amor ao destino", propondo uma aceitação incondicional de tudo o que acontece, sem ressentimento ou arrependimento. 

Afirmação da Vida: É um "sim" à vida em sua totalidade, uma afirmação da existência, mesmo nas suas dificuldades e sofrimentos. 

Aprovação do Necessário: Nietzsche defende que não apenas se deve suportar o que é necessário, mas sim amar o que é necessário e ver beleza no inevitável, como afirma em A Gaia Ciência. 

Transformação e Criação: Essa filosofia permite transformar as circunstâncias difíceis, sejam elas traumas ou infortúnios, em força criativa e movimento, em vez de cair em um sentimento de fracasso ou submissão. 

Ser Autor da Própria Vida: Ao adotar o Amor Fati, o indivíduo se torna o próprio criador e responsável pela sua vida, não um mero seguidor de um caminho predeterminado.

 

Ainda sobre a Suavidade

On
June 05, 2024
“Fazer os gestos apropriados para conter a doença, fechar a ferida, acalmar a dor: o cuidado está associado, desde o início da humanidade, à suavidade. Ele exprime a intenção do bem, [...] A suavidade é o suficiente para curar? Ela não precisa de nenhum poder, nenhum saber. Para apreender a vulnerabilidade do outro é preciso que o sujeito reconheça a própria fragilidade. Essa aceitação é uma força, faz da suavidade um grau mais alto na compaixão que o simples cuidado. Ter compaixão é sofrer com o outro aquilo que ele sofre, sem capitular. É poder se deixar atingir por outro, por sua tristeza ou sua dor, e conter essa dor levando-a para longe. Mas a suavidade não é apenas um princípio de relação, qualquer que seja a intensidade que a anime. Ela abre o caminho para aquilo que é mais singular no outro. Se a atenção de suavidade, no sentido do “cuidado da alma” compreendido por Patocka, acena para nossa responsabilidade de ser humano para com o mundo que nos cerca, os seres que o compõem e até mesmo os pensamentos que lhes dedicamos, ela inclui uma relação de familiaridade com o animal, o mineral, o vegetal, o estelar.”

- Anne Dufourmantelle - Potências da Suavidade

Aprendizagens sobre o amor não correspondendido

On
October 29, 2023

Photo Lieve Tobback

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Amar pede uma coragem. De acreditar que, apesar de todas as histórias que correram mal, é possível que seja desta que corra bem. 

Mas nem sempre a aprendizagem do amor vem através da experiência do amor. 

Vou aprendendo que sentir-me amada não está dependente de mais ninguém. (Se me aceito, nada pode alterar os meus sentimentos por mim própria.) 

E nessa aceitação ganho liberdades. 
Para fazer coisas que o outro pode achar menos interessantes. 
Para ser exagerada. 
Para não ser perfeita. 

Dou-me espaço. 

Faço o que tenho a fazer, alinhada comigo e com o que sei e sinto que preciso de fazer, a cada instante. 
A minha única expectativa é ser honesta. É manter-me honesta - porque nessa honestidade não há erros. 

Todo o amor que tenho que ter por mim. 
Um amor de primavera, mais ou menos como se intitulou a minha filha quando lhe disse que ela era um presente - “um presente de verão“, disse ela, porque nasceu a 25 de julho. 
São camadas de desconfiança que se desmancham. 
A desconfiança de não ser digna, de não merecer, de não ter direito ao amor. 

A cada dia, reconhecer que estou aqui apenas porque sou amada - não é nada fácil. É como largar a pele que conheço para deixar nascer uma nova. 

Mas afirmo para mim mesma, a cada dia, esta crença profunda de que sou amada, mesmo que o meu amor não seja retribuído - nem como, nem quando espero. Ou por quem espero. 

Busco ter o coração ao alto. 
(Para viver em paz, é preciso fazer as pazes.) 

Ser só um sítio de passagem não é uma coisa assim tão má.

Ser Só uma pessoa

On
September 26, 2023


Photo by Bruno Grilo


Estar à espera da confirmação daquilo que acho que sou - estar à espera que validem a minha existência, experiência, forma de ser -, é algo que nunca chega de facto a ser uma dádiva.

Se não acontece, lembro-me do vazio que é não me contentar apenas com Ser. Também precisar de Aparecer (de ser vista).

Se acontece, perceber que isso afinal não vale nada. Ou que vale tanto como uma crítica. E que é só um julgamento e uma ilusão - uma percepção do outro com a qual me identifiquei, porque me fez sentir bem sobre mim mesma.

Ser Só uma pessoa dá trabalho. Não querer mais nada do que isso é um constante lembrete de que não há forma de não falhar. Mas que nessa imperfeição há um reino de amor à espera - a possibilidade de bastar. De largar o fingimento ou a ideia de querer alguma coisa. E de perceber que a vida não me deve nada.

Freedom

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February 24, 2023


Às vezes parece que o amor está ligado a uma ideia de troca e de merecimento - só merecemos amor se dermos amor; só devemos dar amor se recebermos amor de volta ou se o outro merecer. 


Ultimamente tenho sentido que é possível sentir amor sem acrescentar nem tirar nada. 


Na prática de simplesmente amar, acontece algo incrível: recebe-se mesmo qualquer coisa de volta. Não de uma forma concreta. Não no campo do fazer ou da acção. Não necessariamente desembocando em algo expressivo como uma relação romântica. Mas como um preenchimento interno, celular, orgânico. Que fica a reverberar em tudo o que faço, pelas pessoas de quem gosto, sem expectativas nem desassossego. 


Não tenho dúvidas de que sou amada por muita gente e de que serei amada por muitas pessoas ao longo da minha vida. Não estou dependente da validação exterior ou de reciprocidade para sentir as diferentes possibilidades do amor. 

A beleza disto é precisamente esta: aprender a amar sem ter o desejo constante de estar em relação libertou-me de um peso gigante. Libertou-me do constante ruído mental. De uma insatisfação disfarçada de desejo. Da armadilha da expectativa.


A fantasia também cabe dentro da realidade. Mas não precisa de se transformar nela.


Quero continuar a dar o melhor de mim mesmo correndo o risco de perder tudo o que ofereço - já aconteceu, mais do que uma vez. E não só sobrevivi, como prosperei. 

Creio que isto se traduz um pouco no “poder da desvinculação” de que fala o Stutz - ser capaz de dizer em silêncio: “I’m willing to loose everything.” E nesse processo perceber que a minha integridade não depende do que recebo de volta. Que nada é de facto permanente. Que é possível querer com toda a minha energia uma coisa e ainda assim ser capaz de a libertar; de me despojar de tudo o que quero mesmo continuando a assumir o trabalho que tiver de ser feito.


Para mim, neste momento, este é o poder criador do amor e da gratidão.


“O que estamos aqui a fazer é entregar-nos a algo que não compreendemos por completo. 

Mas o que quer que exista por aí quer estar ligado a toda a gente.”

Asa delta para o êxtase

On
February 07, 2023

Photo by Igor Mukhin

"At times a broken heart will appear as your teacher, and you will be asked to practice the most radical yogas of sadness and vulnerability. At times you may see that the yoga of a broken heart is the highest path for you and will ask that you set aside all others, placing your tenderness, your aloneness, and the scary places upon the altar in front of you. 

Allow yourself to be the great yogini of the broken heart, for it may be why you have come here—to feel the longing and the burning of this world, to hold and metabolize it inside the grace field of your own body, and to shower beings everywhere with your wisdom and your love. 

You are wedded to the unknown now, and you are willing to give your heart to others and to this world—to use even your sadness, your hopelessness, and your aloneness to connect with others, allowing yourself to be crafted as a wild translucent vessel of kindness."

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Conclusões sobre Amor e Relações:

* O meu afecto contém multitudes. É vasto.
* É possível gostar de alguém só do lado de dentro. O romance nem sempre tem de acontecer fora. 
* Temos tempo.
* “O que quer que possa acontecer, acontece.”
* No intervalo das coisas é preciso confiança. Fé no caminho e no amor. 
* Intimidade nem sempre está ligada à sexualidade. Às vezes é só presença.
* Não há nada mais íntimo do que chorar ao colo de alguém.
* Estar confusa é como estar inundada por todos os lados.

"The sweet unseen"

On
February 07, 2023



Em conversa com a Mariana surgiu isto: estamos todos a dar voz uns aos outros. Isto quer dizer que, em cada movimento, há um potencial de trazer o melhor ou o pior da outra pessoa ao de cima e que estar em relação é - entre muitas coisas - estar nesse equilíbrio suave entre o limite do sentir, do ser, do estar. Do certo e do errado. Da possibilidade de ir ao encontro do outro ou repelir o outro - mesmo que se chegue cheio de boas intenções.

São encontros preciosos aqueles em que, no reflexo, relembro o melhor que há em mim. Mas raramente uma relação é feita apenas de momentos assim. E aí surge antes a necessidade de confiar em mim mesma em vez de esperar que o outro me transmita essa confiança. 

Perder o hábito da expectativa é difícil. Porque tantas vezes a expectativa confunde-se com desejo - mesmo que estas sejam duas coisas tão diferentes.

Quero ver nos outros o melhor de mim. As minhas óptimas intenções. Uma segurança de que sou um ser humano digno de amor. Mas isso é quase sempre uma armadilha incrível. E quando me dou conta já caí e então, percebo - às vezes tenho a sensação de que tarde demais -, que estou apenas a ser relembrada de que sou imperfeita e que não há nada de mal nisso. Que as intenções não reparam relações. E que também eu estou a dar voz a algo que não é meu. E que por isso, no desencontro, a única coisa a fazer é continuar a acreditar em mim (em nós) e não no que diz o espelho. 

Bom ou mau - não é suposto criar apego com nada. É suposto libertar essas crenças. A compulsão do stress e do drama e de ficar refém das emoções.

Mad World

On
January 31, 2023
Estar zangado é uma escolha que traz consigo uma longa cauda. 

* Pode ser apego ao que gostava que fosse mas que não é. 
* Pode ser ego magoado e ressentido. 
* Pode ser proteção - porque assim cuido de mim e das minhas necessidades com a certeza de que não vou abandonar-me (coisa que é muito difícil de acontecer quando arranjo justificações para tudo o que me está a acontecer). 

Estar zangada é a ponta do icebergue. Por baixo da linha da água, está a vergonha - um sentimento de humilhação. A dúvida. A tristeza. Querer algo que não acontece - e que não faço ideia se vai acontecer. 

Mas eu quero estar em casa. Quero descansar. 

Por isso, às vezes, sabendo que nada dura para sempre, permito-me esta zanga momentânea que é só minha e que não vou partilhar. Sinto-me mais saudável e genuína neste processo. 

Não há receitas. 
Talvez um dia - quando for muito mais evoluída - possa escolher não me zangar. Com paz e aceitação. 
Agora, aceito o que há - que é zanga, quando há zanga. E faço umas longas e devidas pausas do resto. Para poder libertar tudo isto para o espaço. E seguir caminho com amor.