the hands show the way of the heart

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Flow

On
October 01, 2021

"Fluxo (do inglês: flow) é um estado mental de operação em que a pessoa está totalmente imersa no que está a fazer, caraterizado por um sentimento de total envolvimento e sucesso no processo da atividade."


Apesar de todos os componentes de uma experiência de Flow caracterizarem o seu estado, não é necessária a presença de todas estas sensações para o experienciar:


- Objetivos claros (expectativas e regras são discerníveis).
- Concentração e foco (um alto grau de concentração em um limitado campo de atenção).
- Perda do sentimento de auto-consciência.
- Sensação de tempo distorcida.
- Feedback direto e imediato (acertos e falhas no decurso da atividade são aparentes, podendo ser corrigidos se preciso).
- Equilíbrio entre o nível de habilidade e de desafio (a atividade nunca é demasiadamente simples ou complicada).
- A sensação de controle pessoal sobre a situação ou a atividade.
- A atividade é em si recompensadora, não exigindo esforço algum.
- Quando se encontram em estado de fluxo, as pessoas praticamente "tornam-se parte da atividade" que estão a praticar e a consciência é focada totalmente na atividade em si.


Este estado de consciência ou de ação foi criado e estudado pelo psicólogo Croata Mihaly Csikszentmihalyi

Not sharing is also caring

On
September 30, 2021


Celebrando os segredos. Celebrando o silêncio.


Nunca achei importante guardar coisas só para mim. 

Gosto de escrever e gosto de partilhar. É algo que me conecta não só comigo mesma mas que também é uma forma pacífica de estar próxima dos outros.

No entanto, ultimamente, tenho sentido necessidade de cultivar um maior espaço de intimidade comigo mesma.


Talvez a partilha nas redes sociais me "roube" a interioridade que preciso neste momento. Talvez ande numa fase recolectora (em que quero estar em observação, recolha e pausa em vez de acção). Talvez a constante partilha de informação, os reels e a sensação de ruído que tudo isto me traz, esteja a retirar-me energia e vontade de partilhar desta forma.


À minha volta, muitas pessoas sentem-se deprimidas ou frustradas com esta onda avassaladora de conteúdos. Sentem que não são ou que não fazem o suficiente. Então pergunto-me se faz sentido darmos voz a coisas que não nos acrescentam - mesmo que as motivações para o fazermos pareçam tão fortes como "o meu negócio precisa disto."


Ontem à noite, enquanto adormecia a ouvir o Tadashi Kadomoto, fiquei a reflectir sobre motivação e a relação que esta tem com o apego. O precisar - seja do que for, talvez seja uma ilusão. Mas, acima de tudo, fiquei a considerar as motivações secundárias que me levam a achar que preciso de fazer algo de uma determinada forma para chegar onde quero.


A motivação secundária, apesar de intrínseca - relacionada com desejos e impulsos internos ou coisas que desejamos fazer sem pressão externa - visa conseguir o bem-estar através de outras pessoas. Alguns exemplos de recompensa são:


- A sensação de segurança

- O respeito

- A sensação de relevância

- O reconhecimento social


Isto parece-me bastante complexo e sem dúvida que não tenho receitas. Para mim, nesta constante auscultação que faço das minhas necessidades, sinto que para estar em verdade preciso de partilhar sem ser a partir de um lugar de escassez - de um precisar de algo. Sinto que as minhas motivações têm de estar  afinadas com os meus valores e com os valores das minhas marcas. E isso é uma busca. Não tenho que escrever todos os dias. Não tenho de preocupar-me com algoritmos - nada contra quem se preocupa. Não tenho que ficar presa à ideia de que só existe uma forma de fazer algo acontecer. Tenho de procurar a minha forma. A forma que vai servir a maior parte das minhas necessidades - mesmo que não sirva todas.


Para quem está a passar por este fenómeno de se sentir assoberbado por excesso de conteúdo, faça uma pausa. Procure alternativas. Nem que seja, pagar a alguém para fazer isso por si. Para mim o truque é estar no Flow (falarei noutra altura sobre isto). Em todos os momentos e em todas as situações, estar sempre alinhada com o que o meu corpo me comunica.

Sobre ser justo

On
September 27, 2021

Talvez em algum momento da vida todos nos confrontemos com a questão do valor próprio - quanto é que vale algo que faço. Mas no fundo talvez a pergunta seja "quanto é vale aquilo que sinto ou aquilo que sou?".


Isto poderia desembocar numa reflexão sobre egos mas o que gostava de trazer é mais sensível do que isso.


Sempre tive muita dificuldade em atribuir valores aos meus trabalhos. Trabalho por conta própria há cerca de 10 anos mas se for honesta comigo já tinha esta dificuldade antes disso. Consigo perceber que umas meias de uma determinada marca custem 40€. Aceito esse valor e não contesto. No entanto, quando toca ao meu trabalho, ouço imediatamente o meu crítico interno - o medo de não ser compreendida. A vergonha de estar a ser demasiado ambiciosa ou de ferir susceptibilidades alheias. Como se o valor que coloco em algo pudesse fazer o outro sentir-se inferior por não puder comprar... Isto parece algo rebuscado mas, se me manter curiosa, consigo perceber que tem a ver com uma necessidade simples. A necessidade de ser acessível - de equidade. De todos podermos (quem sabe, utopicamente) aceder às mesmas coisas.


Ao colocar preços mais baixos do que considero justo resolvo esta necessidade. Mas em boa verdade não resolvo muitas outras.


Talvez "equidade" tenha sido sempre uma prioridade na minha vida. (Não irei aprofundar isso agora.) 


No entanto, quero explorar o facto de que: ao dar predominância a algo não consigo ver a big picture. 


Acho curioso que nos últimos tempos tenho tido imensa dificuldade em ver ao perto. Ou seja, só consigo ver algo quando está a uma relativa distância dos meus olhos. 


Ao ganhar perspectiva percebo que posso ter acesso a uma mesma necessidade de várias formas diferentes. Que equidade é algo que posso conseguir de muitas maneiras sem que para isso seja preciso comprometer quase tudo o resto - como tenho feito até aqui.


Seja um objecto ou seja uma emoção, quantificar o real valor de algo tem que assentar na soma de todos as necessidades envolvidas.


Para terem acesso a uma lista de necessidades podem aceder aqui.

Lixo

On
September 26, 2021


Com a colaboração da marca Ablesia e Mazurca.


O que se entende por abundância criou na verdade uma escassez - temos tanta coisa que para nós não vale nada que acho importante pensar se temos de facto alguma coisa.

No design, muitas vezes, o tempo de vida de um produto é limitado. Às vezes é construído para ser assim. Ou porque deixa de funcionar passado pouco tempo ou porque o novo é a tendência dominante.


A democratização dos bens e dos serviços construiu uma oferta de coisas que se consome a si mesma. A "acessibilidade" e a sensação aparente de que não é preciso usar muitos recursos para se ter muita coisa constrói um vazio - acabamos por perceber rapidamente que o que é necessário já não é, que pode ser substituído, que está ultrapassado ou que não é bom porque é "velho". 


Eu, no entanto, tenho sentido cada vez mais que o que é realmente novo é precisamente o velho. Que o que me interessa é perceber o que funciona no passado. Preservar e cuidar do que já existe. Tal como está ou transformando-o. 


O que me inspira nos objectos é a sua capacidade de viver no tempo. Porque com as coisas, tal como com as pessoas, são precisos compromissos. E isso faz falta. 


Por essa razão, pego no desperdício têxtil de marcas que gentilmente colaboram comigo e transformo-os noutras coisas. Coisas que por terem sido feitas com amor, usando ferramentas ancestrais que muitas vezes nem sequer precisam de electricidade - como o tear manual, ultrapassam qualquer ideia de moda e vivem por si próprias.



Criar de dentro para fora

On
September 02, 2021



Um texto que partilhei par a Portugal Manual no Natal de 2019. Quase em jeito profético :)

Há uma certa magia no processo de criar algo. 


Não importa a circunstância, parece haver qualquer coisa maior a impulsionar uma ideia quando esta deseja muito ser criada.

O trabalho criativo expande-se e “decora a imaginação”. Por isso, se não for possível fazer-se o que se quer é importante tentar fazer outra coisa qualquer. Estar no fluxo. Em movimento — mesmo que não se saia de casa.


“O que é que farias mesmo se soubesses que irias fracassar?”


Muitas vezes um produto ou uma ideia nascem apenas de uma qualquer confiança inabalável no desconhecido. Guiados pela bússola da intuição e da confiança, cada viagem se faz de mistério, mesmo quando está tudo planeado. E, quanto a mim, é importante fazer aquelas coisas que nos falam mais alto, mesmo quando não sabemos se vamos ter sucesso ao fazê-las.


No entanto, em tempos de crise ou de incerteza redefinem-se os significados de sucesso. Por isso torna-se necessário cultivar um entusiasmo — um compromisso de entrega ao que nos rodeia. Exercitar a observação. A forma como as crianças brincam ou pintam ou constroem um castelo na areia sem medo que este se abata perante o mar é a raiz do entusiasmo. 


Todos os nascimentos precisam de uma gestação. 

Também é assim com uma grande ideia. 

E a verdade é que para se dar algo à luz é preciso tempo, nutrição ou amor. Por vezes, ser capaz de se ultrapassar complicações e medos invisíveis.


Criar de dentro para fora é essencialmente estar à escuta desses lugares mais interiores. Perceber e praticar a arte de nos surpreendermos com o que está vivo em cada um de nós.


A vida acontece em tudo o que fazemos. Ao reverenciar cada momento encontra-se simplicidade.

Mesmo quando as circunstâncias são menos favoráveis.


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As tapeçarias encontram-se à venda na minha loja.





Living the dream

On
November 25, 2019

O que é viver dentro de um sonho?

Sempre achei que a vida podia ser um sonho daqueles que se tem a dormir do qual só acordaria quando morresse. Talvez por essa razão nunca achei que tivesse outra opção que não fosse fazer o que me pede o coração. Fazer o que sinto que Preciso de Fazer!
Isto tem significado: correr riscos, atravessar angústias, momentos de profunda confusão e frustração. Não saber sempre quem sou ou o que faço aqui. Lutas que parecem tantas vezes vazias. E chorar e acordar no dia seguinte e sentir novamente que não existe outra escolha senão esta — continuar a procurar o sonho dentro do sonho e focar-me apenas na experiência.

Quando crio algo sei que estou em co-dependência com os outros.
A ideia de que não preciso dos outros para o meu trabalho significar alguma coisa é apenas uma ilusão. Mas também é ilusão achar que por alguém não gostar do que faço que isso me define ou define aquilo que estou a fazer.

Nos últimos 4 anos, tenho recebido lições diárias sobre como criar um negócio próspero e para ser sincera, na maior parte das vezes, penso que ainda não sei como é que posso fazê-lo ou se algum dia conseguirei de facto Ser a pessoa que imagino dentro de mim.
Assim vou despindo camadas e camadas e mais camadas de crenças, inseguranças e ideias.
Fazer o que está certo é dar o próximo passo que os meus pés indicam e aprender: Tudo é amor!
Tem dias que é um caminho a andar para trás. Eu penso que sei o que sei e o que está por saber e no fundo não sei ainda absolutamente nada. Só acho coisas. Mas opiniões e factos são fáceis de confundir.

Se há algo que eu possa dizer sobre sonhos é que eles pedem sempre de mim tudo o que tenho e se eu só dou metade só recebo metade.
Isto torna tudo muito simples, mesmo quando até é complicado.
Cada sonho tem um coração lá dentro. Uma pessoa inteira vive dentro de cada sonho.
E de cada vez que um sonho é esquecido perde-se uma parte da nossa humanidade.

O medo é o pior inimigo do sonho.

É preciso coragem!
Com confiança de que cada vez que falho tenho a capacidade igual de invocar a minha coragem.

O que eu faço todos os dias — viver daquilo que crio, ser minha própria chefe, estar feliz com as minhas escolhas e obter resultados positivos com todos os meus esforços —, constitui um sonho.
Mas é também um mito. Porque se não tivesse pessoas que constantemente me dão suporte e se não tivesse Amor à minha volta, nada seria possível. Por outro lado, aquilo que eu recebo dos outros é proporcional ao que eu tenho capacidade para dar e receber. No fundo tudo é Auto-Amor. Quanto mais amor eu sinto por mim e por aquilo que faço, mais Amor recebo.

Na minha exigência comigo eu tenho necessidade de batalhar por esse Amor. Pelo que tenho dentro e pelo que vem de fora.
As magias e milagres acontecem devagar. E apetece-me muitas vezes desistir. Ter um emprego. "Ser normal".
Mas como acredito em sinais, vou encontrando pistas em todos os lugares e isso permite-me continuar...

Com muito trabalho. Com muito amor.




What's living inside a dream?

I always thought life could be a dream we have while we sleep and that we would only wake up after we die. Maybe for that reason I never thought there would be other option besides doing what my heart asks. Do what I feel that it's needed to be done!
This means: taking risks, cross moments of anguish, deep confusion and frustration.
I don't know every time who am I or what am I doing here. And I go through empty fights. I cry but I wake up on the next day and realize once again there's no other choice – I need to keep searching the dream inside the dream and focus only on the experience.

Every time I create something I'm in codependence with others.
The idea that I don't need other people to make my job it's an illusion.
And it's also an illusion to think that because someone doesn't like what I'm doing that will define who I am or what I'm doing.

In the last 4 years I have received many daily lessons about how to create a prosper business and to be honest, most of the times, I think I still don't know how to do it or even if someday I will be in fact the person I imagine.
This way I take off layers and layers and more layers of beliefs, insecurities and ideas.
To do what is right is taking the next step my feet show me and learn: All is Love!
Some days it looks like I'm walking back. I think I know what I know and what it's still to be learn and I also don't know absolutely anything. I only have some clues.
But opinions and facts are easy to mistake.

If there's something I can say about dreams is that they ask everything from me and if I only give half of what I have I only receive half in return.
This makes everything simpler even when it's complicated.
Every dream has a heart inside. An all person lives inside every dream.
And every time a dream is forgotten a piece of our humanity is lost.

Fear is the worst enemy of dreams.

It takes courage!
With trust that each time I fail I have the same ability to invoke my courage.

What I do every day – live from what I create, be my own boss, be happy with my choices and obtain positive results from my efforts – it's a dream. But it's also a myth. Because without the support and love of people around me nothing would be possible. On the other hand, what I receive from others it's proportional of what I am capable of giving and receiving. In the end everything is Self-Love. The more love I have for my self and what I do, the more Love I receive.

Because I demand so much from myself I feel the need to fight for this love I have inside me and the one I receive.
Magic and miracles slowly happen. And I feel like giving up many times. Have a job. "Be normal".
But I believe in signs and I can find little clues every where. That allows me to continue...

With lots of work. And lots of love.