the hands show the way of the heart

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Deixar fluir e assumir o trabalho que há para fazer

On
December 04, 2023


Sonhei que estava numa sala com várias pessoas. E que dizia "itadakimasu" como resposta a outros japoneses que também diziam o mesmo.

Agradeço.
Itadakimasu: “I humbly receive.”

Antes de comer significa: "let’s eat". Thank you for this food.

Pensava que deveria ter dito “sim” como resposta. Mas saía-me tudo em forma de agradecimento.


Na caixa

On
October 23, 2023


Desejos e realidade são duas coisas muito diferentes. 

Talvez as coisas sejam como um gato dentro de uma caixa, dentro de outra caixa. 

Como é que acontecem? Eu não sei. 
Como é que são possíveis? Também não. 
No entanto, apesar do mistério, esta é a realidade. 

Também é real que antes disso, o gato arranhou o pimento que estava dentro da caixa. E que isso não foi assim tão fixe. 

(O meu desejo era que o gato não roesse pimentos, nem frutas.) Mas tenho de aprender a captar o melhor daquilo que a realidade me oferece. 

Outra coisa igualmente interessante de Imaginar é: 
E se o gato tivesse tido medo de se enfiar dentro da caixa? 

Penso que não devo deixar de embarcar nos meus desejos só por medo de falhar ou de cair. 
A Niki ensina.

O futuro assenta na confiança no presente

On
September 27, 2023




Nos momentos de maior incerteza que já vivi surgiu-me praticamente em simultâneo uma certeza absoluta: vai correr tudo bem! Isto às vezes ressoa dentro de mim com tanta determinação e com tanta força que a única coisa que posso fazer é acreditar que é verdade.

Confiar na incerteza.

Gostava que a felicidade fosse contagiosa. É um sonho que tenho.
Por vezes, faço o milagre de me contagiar a mim mesma e isso toma conta - espalha-se. Dissemina-se. Alastra-se. (Para quem quiser agarrar.)

Quando estou inteira no presente não consigo sentir qualquer preocupação com o futuro.
Mesmo quando o presente está bera e assustador.

Se o meu bem-estar não depender de mais nada, para além de si mesmo, o que é que acontece?

Intenção, palavra, ação!

On
January 22, 2023



O que está por trás de cada passo? O que quero expressar? Porquê? Para quê?

“Às vezes a palavra é a única ação possível.”


Por trás dos meus quereres e dos meus desejos ajo com cautela e paciência. Porque sei que a minha intenção é respeitar o silêncio, o ritmo, a disponibilidade possível em cada momento.

Há momentos em que tento não interferir, nem com palavras. Porque aposto na continuidade - no que pode ser. E para o que puder ser poder acontecer de facto, isto é necessário. Ficar quieta. Aquietar a mente. Aquietar a constante necessidade de agir sobre as coisas. Aplicar essa energia em práticas que me alimentam e libertam.


Não há segredos. Eu viajo nesse espaço vazio que vai criando ondas e se vai reflectindo naquilo que sou. 

O que o outro não manifesta. O que a vida não desenrola. O que fica por acontecer…


Nos silêncios inexplicáveis é como se existisse um pedido de equilíbrio que reverbera incessantemente - move-te, vai ao teu encontro, como é que estás a acontecer? O que está vivo dentro de ti? O que é que não podes parar?


Então danço, durmo, teço, leio, ouço, cozinho, aspiro, cuido, limpo, imagino, salto, liberto, canto, escrevo, rio, choro, converso, interpreto, exploro, abro, valorizo, valido, amo.


Foi esse o convite que decidi aceitar. E surpreendo-me a cada reencontro comigo mesma. 





Half empty means that there is space to be filled.

On
January 05, 2022


Para mim o Natal é perceber o que quer nascer. O que quer viver. E o que é estar vivo. 


Indo ou não ao encontro de outros. Estando só ou acompanhado. A oportunidade de criar é sempre nossa.
Ao sentar-me numa mesa cheia sinto simbolicamente as necessidades que tive oportunidade de preencher. E isso faz-me sentir agradecida porque com mais ou menos dificuldade fiz o meu trabalho e esse trabalho deu frutos. Mas o melhor presente este ano foi ter aprendido a ficar mais em paz com a "mesa vazia". O espaço que contempla possibilidades sem fim. 


Fazer muito com pouco é uma arte que tenho vindo a aprimorar.

Acho que sempre tive em mim a capacidade de olhar beleza e recursos onde outras pessoas vêem escassez, lixo, coisas feias. Talvez porque tento não ficar presa a construções ou identificações demasiado fixas sobre as coisas. Quero descobrir o que é cada coisa na sua forma essencial, profunda, íntima.

Os finais de ano trazem-me sempre uma sensação estranha de solidão. Recapitulo espontaneamente o ano que passou. Aquilo que marcou mais uma passagem por este mundo.


Mas como diz a Marlee Grace: "YOU DO NOT HAVE 2 REFLECT OR PLAN. You can go your own way... I’d really like to just have today. I want to just be in today, pay attention to today, and have fun today."


Os planos são mapas. Mas acho que nunca fiz nenhuma viagem com o mapa na mão. (Está sempre guardado dentro da mala.)
Então, a minha única reflexão importante para este ano é só esta: quero mesmo continuar a nutrir esse prestar atenção ao hoje. Ao agora. O resto vai-se desvelando com o caminho.

Look both ways

On
September 07, 2021


Em jeito de diário, 


Tenho andado muita envolvida comigo. Não sei se é bom ou mau mas às tantas é apenas aquilo que é. 


Para o ano faço 40 anos e já ando a antecipar de alguma forma esse momento. Entre as minhas queixas, neuroses, irritações, coisas que me chateiam ou preocupam e tudo o resto que me traz paz, fico aí no meio, a tentar achar tudo espantoso porque se calhar é mesmo, eu é que ainda não cheguei lá.


Há um tempo qualquer para cada coisa. Um tempo que se ocupa de si sem que eu controle nada. Esta percepção colocou-me em contacto com uma liberdade que não conhecia. E então percebi que só me resta render-me a cada momento sem querer moldá-lo às ideias que tenha sobre ele. Não quero dizer com isto que já não me importo com nada. Quero dizer que os caminhos têm que ser feitos dentro, antes de poderem ser percorridos fora.


Portanto, agora sou uma exploradora, caminhante virtual, descobridora de percursos invisíveis. 


Nunca como antes dependi tanto de mim mesma. E isto é um susto. Mas nesse medo ou na consciência desse medo vão-se abrindo os tais caminhos. Deixo que me atravessem uma série de coisas que antigamente me esforçava imenso para mudar. Rendo-me (lá está!)!


Sempre tive muita força e isso por qualquer razão incapacitou-me de uma série de coisas. Achei que podia empurrar tudo com a barriga, que estava safa de melodramas, que tinha sempre escolhas e que nada era de facto irreversível. Enganei-me um bocadinho nalgumas coisas e por outro lado as outras pessoas acharam sempre que essa força me tornava destemida e invencível - o que não é verdade. 


Do outro lado da força existe uma sensibilidade muito grande que me destrona. Fisicamente, sinto-me muitas vezes ir ao chão. Mas é nesse ir ao chão que está uma grande beleza. (Demorei anos a aprender isto.) É nesse ir ao chão que sigo em direção às profundezas das coisas. 


Há sempre um medo muito grande em permitir-me sentir os vazios. Esforço-me muito. A todo o custo, para continuar a resolver tudo e a chegar a todo o lado porque uma parte de mim ainda está agarrada à crença de que não se consegue nada sem luta. Não é verdade. Na ausência de resistência constrói-se uma leveza. E eu busco isso.


Tenho metas e sonhos e coisas que gostava de concretizar mas cada vez mais vou sentido que é no que faço agora que está a maior poesia. Já não quero dizer "um dia de cada vez". Acho que prefiro "um minuto de cada vez", "uma hora de cada vez". Um dia é muito tempo. Porque essas ideias dão-me esperança e alegria mas também me sufocam. Porque sinto que se não chegar lá é porque devo ter falhado qualquer coisa. 


Vou-me então despojando destes artefactos emocionais que andei a cultivar toda a vida. Agarro-me a coisa nenhuma - como se estivesse no mar. E deixo que a vida me encontre. 


Não quero perseguir nada. Estou muito cansada de quem sou nesse lugar de constante apropriação de tudo o que me acontece ou deixa de acontecer. 


A única missão que tenho neste momento é: aprender a confiar.

Ninho - 10 de Junho de 2015

On
June 20, 2021


No outro dia encontrei um ninho.

Ninho é casa. Lugar de repouso. Representa a capacidade de acreditar no ambiente em volta. A capacidade de construir algo belo com os recursos disponíveis.

É impressionante para mim como é que animais livres como os pássaros, que estão sempre em permanente movimento e impermanência, também necessitam de uma casa. Um lugar para onde regressar. Um lugar de alimento construído com os seus pequenos bicos.

Talvez todos os animais precisem de um lugar para onde regressar.

Ninho é confiança: nos elementos, nas coisas fixas, nas coisas móveis, em si mesmo. 

Eu confio que há sempre um lugar à minha espera. Confio que a vida me vai dar sempre tudo aquilo que preciso. Algumas pessoas não nascem neste contexto – talvez a sua aprendizagem possa ser de outra espécie. Não sei.

A mim é o ninho que me ensina.

Slow

On
February 23, 2018

Começa um novo ano.
A vida organiza-se num ritmo só seu, que eu vou descobrindo como uma criança ainda. Com curiosidade e sentido de urgência.

Ir devagar significa muitas vezes aprender a Estar e aceitar que cada coisa tome o tempo que necessita, para lá da minha pressa ou da minha lentidão.
Eu acredito que o movimento Slow é o movimento do respeito pela velocidade própria do Ser. De outra forma, esta é apenas mais uma imposição.

Tenho estado ausente daqui precisamente porque necessito respeitar o que Sou neste momento. Mãe a tempo inteiro. Mãe sola durante uma grande parte do tempo (o meu companheiro vive noutro país). Tecedeira nas horas vagas. Mulher amante e companheira quando é possível.

No entanto, quero voltar a este espaço. Ele chama por mim. E eu tenho sentido que há muita coisa que tenho para dizer e para partilhar (coisa que podem fazer sentido fora de mim mesma :)).

Até breve!

//

A new year starts.
Life organizes itself in its own rhythm. Something I figure out like a child. With curiosity and a sense of urgency.

Going slow means many times to learn how to Be and accept that each thing takes its own time. The time it needs behond my hurry or my slowness.
I believe that Slow movement is about respecting the velocity of the self. If you we do something else it becomes one more imposition.

I have been away from this space precisely because I need to respect who I Am right now. Full time mother. Single mom for most of the time (my partner lives abroad). Weaver when I can. Woman lover and partner whenever its possible.

However, I really want to return here. It calls for my presence. And I have been feeling that there's so much to say and share (things that might be important outside myself :)).

See you soon!

Milão

On
July 09, 2016

#Décima sexta semana em Inglaterra

O meu aniversário.

Todos os anos eu e o Bruno repetimos esta tradição que a minha família brasileira partilhou comigo: Somos reis por um dia :)
Ou seja, quem faz anos espera na cama por um lindo pequeno-almoço, preferencialmente com flores a acompanhar. Recebe os parabéns e os presentes ainda na cama e durante o dia (esta parte não temos concretizado) todas as refeições devem ter flores!

Nos meus últimos aniversários tenho-me sentido sempre muito emocionada com o cuidado que este gesto traz ao meu dia. Com o amor que fica desde o momento em que me cantam os parabéns. Com a sensação de importância e valor pessoal que se constrói nestes pequenos gestos.

Este ano, fomos passar o fim-de-semana a casa de amigos, em Milão.
Apesar disso, às 5 da manhã o Bruno concretizou parte da tradição oferecendo-me uns presentes inesperados e uns parabéns cantados baixinho para não acordar os vizinhos :)

Há qualquer coisa de infantil que desejo preservar para sempre nestes momentos. E fico triste por perceber que, com o tempo, muitas pessoas deixam de se sentir felizes por celebrar o dia em que nasceram. Esse momento brilhante de vontade de viver que é um nascimento.

Ontem à noite relembrávamos um amigo nosso indiano que não sabia em que dia tinha nascido. E eu lembrei-me de como isto impactou também na importância que dou ao meu aniversário.

Não sei bem quando é que começamos a tomar certas coisas como adquiridas ou deixamos de celebrar as significâncias dos nossos dias, mas reconheço que isto é algo a que preciso de estar atenta e de renovar comigo mesma – a necessidade de comemorar quem sou!


#Sixteenth week in the UK

My birthday.

Every year me and Bruno repeat this tradition that my Brazilian family shared with me: We are kings for a day :)
That is, the birthday person waits in bed for a lovely breakfast, preferably with flowers to accompany. Gets congratulations and gifts still in bed and during the day (this part we skipped) all meals must have flowers!

In the last years I have always felt very emotional with the care that this gesture brings to my day. With the love that stays with me from the moment Bruno sings me happy birthday. With the sense of importance and self-worth that is built in these small gestures.

This year we were spending the weekend in Milan at some friends home.
Nevertheless, at 5am Bruno materialized part of the tradition by offering me some beautiful unexpected gifts and by singing happy birthday very low tone so the neighbours wouldn't wake up :)

There is something childish that I wish to preserve forever in these moments. And I'm sad to realize that, in time, many people fail to feel happy to celebrate the day they were born. This brilliant moment of willing to live that our day of birth celebrates.

Last night we remembered an Indian friend that didn't know the day he was born. And I recall how this also caused an impact in the importance I connect to my birthday.

I don't know when we start to take certain things for granted or when we stop celebrating the significance of our days, but I recognise that this is something that I need to be attentive and to renew inside myself - the need to celebrate who I am!

Corpo lugar sagrado

On
April 30, 2016

#Décima segunda semana em Inglaterra

Semana em Lisboa.
Correr de uma pessoa para outra, de um lugar para outro, de uma comida para outra.

Tentar não correr e aproveitar a minha cidade preferida no mundo para descobrir que vamos ter uma menina :)

Comprar lãs e mais lãs e abraçar os amigos, que me fazem tanta falta.

Começar a aprender a receber o amor e o carinho das pessoas tal como elas sabem dar sem perder o limite da minha pele. Ou seja, cuidar das relações, mas não me esquecer de cuidar de mim – que é aliás o primeiro passo para verdadeiramente conseguir cuidar das relações.

Entender que de cada vez que alguém com quem não tenho essa tal ligação de pele (sim, eu acho que isso existe) quer tocar com entusiasmo na minha barriga – como se ela fosse um pouco sua –, eu tenho o direito de dizer não... E, embora ainda não tenha conseguido fazê-lo, esta experiência trouxe-me imensas notícias sobre mim e sobre a minha responsabilidade de servir também este bébé nesse sentido. De servir os limites de que ela me for sinalizando, da melhor forma que conseguir. E de partilhar com ela essa capacidade de escuta dela mesma, daquilo que ela precisa para si.


#Twelfth week in the UK

Week spent in Lisbon.
Running from one person to another. One place to another. One food to another.

Try not to run at all and just enjoy my favorite city in the world to find out that we are going to have a girl :)

Buy yarn and more yarn and hug my friends that I miss so much.

Start to learn how to receive the love and care that people want to give the way they want to give without loosing the limit of my own skin. Meaning: take care of my relations but still remember to take care of myself – which is actually the first step to truly be able to take care of my relations.

Understand this every time someone with whom I don't have this skin connection (yes I believe there is such a thing) wants to touch in my belly – as if my belly was also a bit theirs – I have the right to say no... And even though I am not able to do that still

Espalhar sementes

On
April 30, 2016


#Décima semana em Inglaterra

O trabalho faz-se. No seu ritmo. Ao meu ritmo.
Às vezes mais lento do que eu gostaria – ainda estou a aprender a ser paciente com isso e a aceitar com profunda compaixão aquilo que não tenho forma de mudar em mim.

Tenho contactado com o meu censor (aquele que censura).
Nesta espécie de retiro que estou a viver, o tempo não é o meu maior inimigo. Aquilo que eu acho que devo fazer com ele, sim, é! E preciso lembrar-me de como respirar.

Respirar. Trazer ar. Reconhecer a pausa entre a inspiração e a expiração. Acolher e libertar aquilo que vem e aquilo que vai.

Então volto aos pássaros. Que constroem laboriosamente o seu ninho. Sem perguntarem quanto tempo demoram ou quanto tempo têm.

Não há maior lição de estar em consciência plena do que esta. Fazer o ninho.
Por isso, no fim-de-semana da minha décima semana no UK, fui até ao jardim deixar as minhas sementes – as lãs que estou a usar no meu trabalho – para futuros ninhos.
A junção entre o meu e o trabalho deles. A casa que cada um constrói.
Eu observo. E devolvo à natureza um pouco dos recursos que ela me dá, todos os dias.

#Tenth week in the UK

The work is being done. At its pace. At my pace.

Sometimes slower than I wish – I am still learning to be patient with that and to accept with deep compassion what I can not change in myself.

I have in contact with my censor (the one that censors).
In this kind of retreat that I'm in time isn't my enemy. But what I think I should do with it it is! And I need to remember how to breath.

Breathing. Bring air. Recognise that pause between the inhalation and exhalation (which in portuguese is more like inspiration and expiration). To welcome and let go of what comes and what goes.

So I return to birds. That build with such hard work their nests. Without asking how long it is going to take or how much time do they have.

There is no greater lesson of mindfulness than this one. To build a nest.
That's why in my tenth week in the UK I went to the garden to leave my seeds – the scraps of yarn that I am using at my work – for future nests.
My work and their work together. The house that each one of us is building.

I observe. And return to nature a bit of the resources she shares with me everyday.

Fazer

On
March 10, 2016



#Sétima semana em Inglaterra

Terminei os mini-tapetes, dediquei-me a um novo projecto, comecei uma nova teia.

Percebo a importância que tem para mim estar presente e constante no meu Fazer! Criar com intenção, usando matérias primas que também foram geradas com cuidado. Fazer a partir do coração, com as mãos a guiarem o meu caminho.

Tenho muitos medos sobre a mudança que estou a construir. Porque cada vez mais conheço os meus dons mas também as minhas limitações. Então, é um desafio, procurar ajuda neste momento. Pessoas que façam comigo, que preencham os lugares vazios ou os passos que não tenho jeito para dar.

Foi uma semana bonita :)


#Seventh week in UK

I finished the little tapestries I was making, started a new project and a new warp.

I started to understand the importance that being present and constant in what I am doing has to me. Create with an intention and using materials that were generated with the same care. Do from the heart with hands guiding my way.

I have so many fears about the change I am starting to build in my life. Because everyday I know my talents a bit better but also my limitations. So there's this challenge that I have to overcome by looking for help. People that can make things with me, that fill that void of the places or the steps I am not able to give.

It was a beautiful week :)

Pausa

On
March 09, 2016




#Sexta semana em Inglaterra

"Parar,
e contar cada som,
parar,
e ver cada pedra,
parar,
e deixar entrar o vento,
parar,
e não ter de ser alguém."

De Peter Rosengarden, um rapaz de 11 anos.


Apanhada por uma gripe que me deixou de cama como há muito tempo não ficava.
A pausa tornou-se obrigatória.
Assim foi.


#Sixth week in UK

"Stoping,
and counting each sound,
stoping,
and see each rock,
stoping,
and let the wind get in,
stoping,
and don't have to be somebody."

From Peter Rosengarden. A boy with 11 years old.


Caught by a flu that left me completely knock out.
The pause became mandatory.
So it was.

Who who?

On
February 04, 2016


#Segunda semana em Inglaterra

No lugar onde vivo há um sem fim de pássaros à volta.
É bom ficar a observá-los, vê-los em puro equilibrismo sobre os estreitos ramos de árvore. Acordar com essa sensação de natureza e de silêncio que eles trazem. Encantar-me com a beleza das penas e dos movimentos fluídos de quem sabe voar…

Os pássaros estão sempre no fluxo. Não têm tempo. O seu ritmo é o do vento, o das estações, o do poiso que está vazio ou ocupado por outros. Eles conhecem o dia e a noite. E se estiverem em forma, nunca sentem medo de cair. Na realidade, não sentem medo de todo. Porque instinto é isso, quando se sentimos medo sermos capazes de fugir, de atacar ou rendermo-nos.

É engraçado lembrar-me que na minha segunda e terceira semana por aqui sentia um pássaro no telhado. Como se fosse um mocho ou uma coruja que dizia: who! who!
Fiquei a pensar que ele falava comigo e que me fazia esta pergunta: quem és tu?
Então na minha segunda semana essa foi a pergunta que ecoou. Que me manteve agarrada ao medo – essa coisa tão humana. Medo de falhar, de não conseguir fazer algo com propósito ou sentido. Medo do meu ritmo, que muitas vezes é bem mais parecido com o dos pássaros do que eu gostaria.

A minha mente tem-me pregado muitas partidas.
Mas no meio da tempestade, tenho de ficar no coração e lembrar-me: quem sou eu!? Porque esse é o meu centro. É o que me impede de cair.

(Corações ao alto.)


#Second week in UK

In the place where I live there's a whole bunch of birds around.
It's nice to watch them in pure balance on the top of the narrow tree branches. Waking up with this sensation of nature and silence that they bring. Be delighted by the beauty of their feathers and the fluid movements from those who know how to fly…

Birds are always in the flow. They don't have time. Their rhythm is the wind. The seasons. The perch that is empty or occupied by others. If they're in shape they never fear to fall. In fact they don't feel fear at all. Because instinct is like this. When in fear be able to run, attack or surrender.

It's funny to remember that on my second and third week in here I was feeling a bird on the rooftop. It was like a owl that kept saying: who! who!
I wondered if he was asking me: who are you?
So on this second week that question echoed. And kept hanging on fear – such a human thing. The fear of failing, of not be able to something meaningful or with a sense of purpose. Fear of my own rhythm that so many times is way much more similar to the birds rhythm that I would like.

My mind plays tricks on me.
But in the middle of the storm I must stay with my heart and remember: who am I?! Because that is my centre. It's what keeps me from falling.

(Hearts up high.)

Objects of everyday

On
October 05, 2015

Um trabalho de amor e paciência. Captar os objectos do dia-a-dia.

As mulheres têm a sua forma de fazer magia acontecer. Assim como os homens.
Mas agora eu foco-me nas mulheres. Apenas para responder a esta pergunta que emerge: quem sou como mulher?
Tentando responder a esta pergunta eu comecei a minha aventura.

Este foi o primeiro objecto. A primeira mulher. 

É um presente estar disponível para receber respostas de qualquer lugar. Eu estou muito agradecida por isso.


A work of love and patience. Capturing the objects of everyday.

Women have their ways of making magic happening. So as man.
I am focusing on women now. Just because this question emerge: who am I as woman?
Trying to answer this I began my quest.

This was the first object. The first woman.
It is a gift to be able to find answers everywhere. I am very thankful for it.

Be still

On
June 30, 2015


"Being still, being quiet, listening Life everywhere…"
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Ontem fui visitar uma vila aqui no meio de Lisboa! Fui tocar às campainhas e falar com as pessoas e saber o que é que elas encontram de belo no lugar onde vivem.
Durante este processo pensei sobre o que é que é o melhor dos mundos para cada um de nós. Ou o mundo onde todos sonhamos viver.  

Sobre a capacidade de ouvir o que é belo para outra pessoa e esperar que ela encontre o seu sonho, percebi que esperar pacientemente pelo que está vivo no outro pode ser um enorme desafio, mas é tão importante quanto desejamos que escutem o que está vivo em nós… E, pela minha observação, todos desejamos muito ser escutados! 

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Yesterday I went to visit a village in the middle of Lisbon! I rang the doorbells and asked people what do they find beautiful in the place they live.
During this process I thought about what is the best world we could live in or the world we all dream about.

About the ability to listen what is beautiful to the other person and wait patiently until a dream emerge I realised that waiting for what is alive in the other can be a huge challenge but it's so important as we wish others to listen to what is alive in ourselves… And while I'm observing this I can notice that everyone wants to be listen too!



Dar-me-à-luz

On
May 29, 2015

"Todas as manhãs nós nascemos novamente.
O que fazemos hoje é o que mais importa."

Siddhartha Gautama
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Em Setembro comecei uma viagem. Uma viagem ao mar profundo de mim mesma. Num mergulho atravessei a dor do medo, do desconhecido, das coisas que não consigo agarrar – o futuro.
Em Fevereiro comecei a germinar debaixo da terra fria do Inverno. E em Abril, que é o meu mês, dei-me à luz. Teci este pedaço de tecido com a ajuda da Guida Fonseca, do Lugar do Têxtil. E concretizei o meu propósito: fazer coisas belas, com significado, através das minhas mãos.

O tempo pede que continuemos a parir-nos a nós mesmos, infinitamente.
Que sejamos capazes de suportar qualquer sofrimento com a certeza e a clareza de que para nascer temos sempre de chegar às margens de nós mesmos. Ir ao limite do corpo.

Os meus sonhos ainda estão a dar passos de bébé. A gatinhar e a rebolar no chão. 
Talvez em Setembro, quando as folhas forrarem as ruas, algo especial se levante pela primeira vez.

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In September I started a journey. A journey to the deep sea inside of me. In a dive I crossed through the pain of the fear, of the unknown, of the things I cannot hold – the future.
In February I began to sprout underneath the cold winter ground. And in April, my month, I gave birth to myself (in portuguese we can also say to give light). I woven this peace of fabric with the help of Guida Fonseca from Lugar do Têxtil. And I accomplished my purpose: to do beautiful and meaningful things through my hands.

Time ask us to keep giving birth to ourselves infinitely.
To be capable of baring with the suffering with confidence and awereness that to be born we always have to reach the shore of ourselves. Go until the limit of our bodies.

My dreams are still walking with baby steps. Crawling and rolling in the floor. 
Maybe in September when leaves are covering the streets something special will raise for the first time.

First ones

On
February 06, 2015

De volta à cerâmica.

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Céu na mão

On
May 21, 2014

Céu.
Ser mutante, como eu.

Mudo-me este mês para Lisboa.
A nova casa tem uma janela gigante. No topo deste 4º andar, quase que toco nas nuvens.

Dedicado exclusivamente a este tema, novo blog aqui :)

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Sky.
Mutant being like myself.

I'm moving to Lisbon this month.
The new house has a big window. On the top of the 4th floor I can almost touch the clouds.

Exclusively dedicated to this theme there's a new blog in here :)

Lua Cheia

On
May 15, 2014

"This being human is a guest house.
Every morning a new arrival.
A joy, a depression, a meanness,
some momentary awareness comes as an unexpected visitor.
Welcome and entertain them all!
...
Be grateful for whoever comes,
because each has been sent as a guide from beyond."
Rumi