o.Tempo.de.Criar.

the hands show the way of the heart

Image Slider

Candidíase na gravidez

On
September 15, 2016

O que eu aprendi durante o último trimestre de gravidez:

Ao escrever a palavra candidíase dou-me conta do pudor que sinto em falar abertamente sobre o tema. (Não sei exactamente porquê.)
No entanto, segundo o que tenho lido, 70% das mulheres, nalgum momento da sua vida, irão ter candidíase. E isto é mesmo importante para desmistificar as coisas e poder falar abertamente sobre isto.

Não falar sobre algo só aumenta o desconhecimento e o secretismo e eu sinto que gostava que alguém tivesse partilhado comigo aquilo que aqui partilho convosco. 

Durante a gravidez, com as imensas alterações hormonais, a candidíase é extremamente comum.

Tenho observado que a maior parte dos sites começa com uma longa descrição sobre esta condição por isso não vou alongar-me por aí.
Para mim o mais importante foi, primeiro, entender quais as soluções que estavam ao meu alcance. Segundo, que situação ou situações/ emoções fizeram com que ela se desenvolvesse dentro de mim.

O corpo tem uma forma muito particular de se expressar. E é preciso escutar atentamente cada sinal que ele nos dá. Sobretudo quando é algo que acontece de dentro para fora, acredito que é mesmo muito importante tentar compreender que fragilidade é que está viva nesse momento. O que é que me tornou vulnerável?

Há uma série de livros que descrevem a candidíase como algo sexual, que poderá estar associado a questões de controlo e de expectativa. Esperar algo da relação, não estar a dar o suficiente ou não estar a receber aquilo que se espera. Outros associam-na a sentimentos de ressentimento... E por aí fora.
Pela minha parte, senti que nada disto me ajudava a curar de facto o que poderia estar a acontecer-me.

Acho que qualquer situação que o corpo comunica precisa de profunda compaixão. Profundo amor. Profunda paciência. Não serve de nada começar um processo de cura a partir de um pensamento negativo. De um sentimento de angústia ou de culpa, de que se fez algo de errado ou de que há algo de errado a acontecer-me.

Então aquilo que tenho para dizer é apenas isto: caso tenhas candidíase nalgum momento da tua vida procura dentro de ti as razões. Elas não vêm em nenhum livro. Procura o que está vivo. O que emerge.
O que é que dói? O que é que precisa de ser apaziguado?

A candidíase vive de energia, como tudo o resto na vida.
E mais do que tentar encontrar "responsabilidades", é interessante procurar conhecer melhor que energia é essa.
Que se sente na base do corpo. Na raíz – que é a sua casa. O lugar a partir do qual se cria, se constrói algo.

Por um lado, isso! Por outro, entender e aceitar que, apesar de todos os desconfortos, ela não é uma inimiga. Ela é, quanto muito, uma mensageira.
Se eu cuidar da minha casa – do meu corpo e do meu espírito – ela vai desaparecer. É preciso confiar nisto. E cuidar. Cuidar muito das emoções.
Alimentar-me bem. Beber muitos líquidos. Limpar os açucares o máximo que conseguir. Procurar ajuda. Permitir-me sentir prazer sem culpa – seja a dormir, a comer, a fazer amor ou a ficar em pausa. Abrir-me a qualquer forma de cuidado que seja importante para mim e não duvidar de que mereço isso. Mereço o amor e a atenção que estou a dar a mim mesma.

Na internet encontra-se tudo o resto.
Mas, para mim, o mais importante era mesmo trazer este tema à superfície. Falar sobre ele sem medos. Libertar-me da cena negativa implícita em quase todos os posts que li e – ufa – criar alguma respiração. Criar espaço. Ar!

Está tudo bem (e isto não sou em negação). Acredito mesmo que a única coisa que é preciso é ouvir a linguagem simbólica e não verbal do corpo e ir agindo em conformidade com a história que estamos a contar a nós mesmos ou que queremos contar a nós mesmos!

O que é que eu quero dizer com isto?!

Todas as coisas são histórias... que cada um ouve, aprende, constrói. Mudar a história que se repete em mim é mesmo muito difícil, porque me habituei a ela... a ponto de muitas vezes não saber exactamente quem é quem.
Eu sou aquilo que vivi? Sou aquilo que me disseram que eu sou? Serei todas essas coisas juntas?
Bom. Na realidade, isso não é muito importante. É importante compreender qual é que é a história (e isto é trabalho para toda a vida, digo eu).
No entanto, caso surja o convite – através de uma doença ou de um conflito ou até de um desejo profundo de que isso aconteça –, podemos tentar mudar a história. Escrever uma nova ou adicionar um outro capítulo diferente.

O corpo convida ao movimento. E a mudança é parte integrante do movimento.
Podemos escolher não nos movermos. Mas também podemos escolher caminhar. Ou dançar.
E quando se caminha para a frente já não é possível caminhar-se para trás. Quando se dança eu diria que é impossível ficar imóvel.
Mesmo que olhemos para trás, a própria perspectiva daquilo que vemos altera-se com o nosso caminhar.

Então, conhecer a nossa história e entendê-la como uma história e não como um peso que atravanca a vida, é algo precioso.

Eu hoje sinto-me muito mais livre!
E percebi que no meu caso a candidíase esteve relacionada com 2 momentos particulares em que aceitei duas intervenções no meu corpo com as quais não estava confortável. Dizer que não também é um trabalho para a vida!

/

What I learned during the last trimester of pregnancy:

When writing the word candidiasis I realize the shame I feel when speaking openly about the subject. (I don't know exactly why.)
However, according to what I've read, 70% of women at some point in their lives, will have thrush. And this is really important to demystify things and be able to talk openly about it.

To be silent about something only increases ignorance and secrecy about those issues and I feel like it would have been important that someone had shared with me what I am about to share with you here.

During pregnancy, with the huge hormonal changes, candidiasis is extremely common.

I have observed that most of the websites begins with a long description of this condition so I will not dwell there.
For me the most important thing was to first understand what solutions were within reach. Secondly what situation or situations/ emotions had caused it.

The body has a very particular way of expressing itself. And we have to listen carefully every sign that he gives us. Especially when it is something that happens from the inside out, I believe it is really important to try to understand the vulnerability that is alive at that time. What made me more fragile and open to it?

There are a number of books describing candidiasis as something sexual that may be associated with control issues and expectations. Expect something of the relationship, not to be giving enough or not be receiving what is expected. Others associate it to feelings of resentment... and so on.
I felt that none of this really helped me to heal.

I believe that whatever the way the body chooses to communicate itself needs deep compassion. Deep love. Deep patience. There is no point starting a healing process from a negative thought. A feeling of anxiety or guilt. The sensation that we did something wrong or that there is something wrong happening to me.

So what I have to say is just this: in case you had or have candidiasis at some point in your life look for your own reasons. They don't come inside any book. 
Seek what is alive. What emerges. What hurts? What needs to be appeased?

Candidiasis lives of energy – like everything else in life.
And rather than trying to find "responsibilities", it is interesting to try to know better what that energy is.
It's about the base of the body. The root – our home. The place from which we create and build something.

On one hand this is important! On the other, understanding and accepting that despite all the discomforts the thrush is not an enemy. It's like a messenger.
If I take care of my house - my body and my spirit - it will disappear. You have to trust it. And take care. Take deep care of the emotions.
Eat well. Drink plenty of fluids. Clean the sugars out of your body as much as possible. Search for help. Allow pleasure without guilt – sleeping, eating, making love or be paused for a while. Open to any form of care that is important to yourself and have no doubt you deserve it. 

I deserve the love and attention I'm giving myself.

In the Internet you can find everything else.
But for me the most important was bring this topic to the surface. Talk about it without fear. Freeing myself from the implied negative scene I read in almost all the posts...  create some breathing. Create space. Air!

It's okay (and I am not in denial)! 
I really believe that the only thing we need is to listen to the symbolic and non-verbal body language and act accordingly with the story we tell ourselves!

What I mean by "story we tell ourselves"?!

All things are stories ... that each person listen, learn and build in one's own way. Change the story that I repeat inside myself is really hard, because I got used to it... so much that often I don't know exactly who I am.
I am what I experienced? I am what I am told that I am? I am all of these things together?
Well in fact this is not very important. It is important to understand what is the story (and this is a job for a lifetime, I believe).
However, it's like an invitation from the body. Through an illness or a conflict or even a deep desire to make it happen - we can try to change the story. Write a new one or add a different chapter.

The body invites the movement. And the change is an integral part of the movement.
We can choose not to move. But we can also choose to walk. Or dance.
And when you walk forward it is no longer possible to walk back. When you dance I would say that it is impossible to stand still.
Even if we look back, the very perspective of what we see changes with our walk.

So, knowing our story and understand it as a story and not as a weight that encumbers life is precious.

Today I feel much freer!
And I realized that in my case candidiasis was related to two particular moments when I accepted interventions in my body which I was not comfortable with. Saying No is also a job for a lifetime!

A mulher que prepara outra pessoa

On
September 15, 2016


Vou deixar-me desta coisa das semanas em Inglaterra porque enquanto se preparam outras pessoas as semanas passam sem dar conta. Fazer dos dias um ritual de beleza e de encontro é o que mais me importa!

/

I am going to leave this thing of counting the weeks in England behind because while I am raising someone else the weeks go by without noticing. Making my days of ritual of beauty and connection is what is most important to me now!

All is full of love

On
July 09, 2016

#Décima sétima semana em inglaterra

No início da gravidez tive este sonho, em que a minha professora de yoga e amiga me cantava esta música (que coincidentemente é do albúm Joga da Bjork).

É tão simbólico tudo isto, deste momento de profunda rendição que estou a viver.
Aprender a confiar em todas as formas de amor.
Descobrir a sua fonte em cada movimento.


#Seventeenth week in the UK

In the beggining of the pregnancy I had this dream where my yoga teacher and friend was singing this song (coincidently from the album Joga from Bjork).

It's so symbolic all of this in this moment of deep surrender I am living.
Learn how to trust all forms of love.
Find out about their source in every movement.



Milão

On
July 09, 2016

#Décima sexta semana em Inglaterra

O meu aniversário.

Todos os anos eu e o Bruno repetimos esta tradição que a minha família brasileira partilhou comigo: Somos reis por um dia :)
Ou seja, quem faz anos espera na cama por um lindo pequeno-almoço, preferencialmente com flores a acompanhar. Recebe os parabéns e os presentes ainda na cama e durante o dia (esta parte não temos concretizado) todas as refeições devem ter flores!

Nos meus últimos aniversários tenho-me sentido sempre muito emocionada com o cuidado que este gesto traz ao meu dia. Com o amor que fica desde o momento em que me cantam os parabéns. Com a sensação de importância e valor pessoal que se constrói nestes pequenos gestos.

Este ano, fomos passar o fim-de-semana a casa de amigos, em Milão.
Apesar disso, às 5 da manhã o Bruno concretizou parte da tradição oferecendo-me uns presentes inesperados e uns parabéns cantados baixinho para não acordar os vizinhos :)

Há qualquer coisa de infantil que desejo preservar para sempre nestes momentos. E fico triste por perceber que, com o tempo, muitas pessoas deixam de se sentir felizes por celebrar o dia em que nasceram. Esse momento brilhante de vontade de viver que é um nascimento.

Ontem à noite relembrávamos um amigo nosso indiano que não sabia em que dia tinha nascido. E eu lembrei-me de como isto impactou também na importância que dou ao meu aniversário.

Não sei bem quando é que começamos a tomar certas coisas como adquiridas ou deixamos de celebrar as significâncias dos nossos dias, mas reconheço que isto é algo a que preciso de estar atenta e de renovar comigo mesma – a necessidade de comemorar quem sou!


#Sixteenth week in the UK

My birthday.

Every year me and Bruno repeat this tradition that my Brazilian family shared with me: We are kings for a day :)
That is, the birthday person waits in bed for a lovely breakfast, preferably with flowers to accompany. Gets congratulations and gifts still in bed and during the day (this part we skipped) all meals must have flowers!

In the last years I have always felt very emotional with the care that this gesture brings to my day. With the love that stays with me from the moment Bruno sings me happy birthday. With the sense of importance and self-worth that is built in these small gestures.

This year we were spending the weekend in Milan at some friends home.
Nevertheless, at 5am Bruno materialized part of the tradition by offering me some beautiful unexpected gifts and by singing happy birthday very low tone so the neighbours wouldn't wake up :)

There is something childish that I wish to preserve forever in these moments. And I'm sad to realize that, in time, many people fail to feel happy to celebrate the day they were born. This brilliant moment of willing to live that our day of birth celebrates.

Last night we remembered an Indian friend that didn't know the day he was born. And I recall how this also caused an impact in the importance I connect to my birthday.

I don't know when we start to take certain things for granted or when we stop celebrating the significance of our days, but I recognise that this is something that I need to be attentive and to renew inside myself - the need to celebrate who I am!

Give birth to your images

On
June 15, 2016


#Décima quinta semana em Inglaterra



#Fifteenth week in the UK