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Deixar fluir e assumir o trabalho que há para fazer

On
December 04, 2023


Sonhei que estava numa sala com várias pessoas. E que dizia "itadakimasu" como resposta a outros japoneses que também diziam o mesmo.

Agradeço.
Itadakimasu: “I humbly receive.”

Antes de comer significa: "let’s eat". Thank you for this food.

Pensava que deveria ter dito “sim” como resposta. Mas saía-me tudo em forma de agradecimento.


Na caixa

On
October 23, 2023


Desejos e realidade são duas coisas muito diferentes. 

Talvez as coisas sejam como um gato dentro de uma caixa, dentro de outra caixa. 

Como é que acontecem? Eu não sei. 
Como é que são possíveis? Também não. 
No entanto, apesar do mistério, esta é a realidade. 

Também é real que antes disso, o gato arranhou o pimento que estava dentro da caixa. E que isso não foi assim tão fixe. 

(O meu desejo era que o gato não roesse pimentos, nem frutas.) Mas tenho de aprender a captar o melhor daquilo que a realidade me oferece. 

Outra coisa igualmente interessante de Imaginar é: 
E se o gato tivesse tido medo de se enfiar dentro da caixa? 

Penso que não devo deixar de embarcar nos meus desejos só por medo de falhar ou de cair. 
A Niki ensina.

O futuro assenta na confiança no presente

On
September 27, 2023




Nos momentos de maior incerteza que já vivi surgiu-me praticamente em simultâneo uma certeza absoluta: vai correr tudo bem! Isto às vezes ressoa dentro de mim com tanta determinação e com tanta força que a única coisa que posso fazer é acreditar que é verdade.

Confiar na incerteza.

Gostava que a felicidade fosse contagiosa. É um sonho que tenho.
Por vezes, faço o milagre de me contagiar a mim mesma e isso toma conta - espalha-se. Dissemina-se. Alastra-se. (Para quem quiser agarrar.)

Quando estou inteira no presente não consigo sentir qualquer preocupação com o futuro.
Mesmo quando o presente está bera e assustador.

Se o meu bem-estar não depender de mais nada, para além de si mesmo, o que é que acontece?

Intenção, palavra, ação!

On
January 22, 2023



O que está por trás de cada passo? O que quero expressar? Porquê? Para quê?

“Às vezes a palavra é a única ação possível.”


Por trás dos meus quereres e dos meus desejos ajo com cautela e paciência. Porque sei que a minha intenção é respeitar o silêncio, o ritmo, a disponibilidade possível em cada momento.

Há momentos em que tento não interferir, nem com palavras. Porque aposto na continuidade - no que pode ser. E para o que puder ser poder acontecer de facto, isto é necessário. Ficar quieta. Aquietar a mente. Aquietar a constante necessidade de agir sobre as coisas. Aplicar essa energia em práticas que me alimentam e libertam.


Não há segredos. Eu viajo nesse espaço vazio que vai criando ondas e se vai reflectindo naquilo que sou. 

O que o outro não manifesta. O que a vida não desenrola. O que fica por acontecer…


Nos silêncios inexplicáveis é como se existisse um pedido de equilíbrio que reverbera incessantemente - move-te, vai ao teu encontro, como é que estás a acontecer? O que está vivo dentro de ti? O que é que não podes parar?


Então danço, durmo, teço, leio, ouço, cozinho, aspiro, cuido, limpo, imagino, salto, liberto, canto, escrevo, rio, choro, converso, interpreto, exploro, abro, valorizo, valido, amo.


Foi esse o convite que decidi aceitar. E surpreendo-me a cada reencontro comigo mesma. 





Half empty means that there is space to be filled.

On
January 05, 2022


Para mim o Natal é perceber o que quer nascer. O que quer viver. E o que é estar vivo. 


Indo ou não ao encontro de outros. Estando só ou acompanhado. A oportunidade de criar é sempre nossa.
Ao sentar-me numa mesa cheia sinto simbolicamente as necessidades que tive oportunidade de preencher. E isso faz-me sentir agradecida porque com mais ou menos dificuldade fiz o meu trabalho e esse trabalho deu frutos. Mas o melhor presente este ano foi ter aprendido a ficar mais em paz com a "mesa vazia". O espaço que contempla possibilidades sem fim. 


Fazer muito com pouco é uma arte que tenho vindo a aprimorar.

Acho que sempre tive em mim a capacidade de olhar beleza e recursos onde outras pessoas vêem escassez, lixo, coisas feias. Talvez porque tento não ficar presa a construções ou identificações demasiado fixas sobre as coisas. Quero descobrir o que é cada coisa na sua forma essencial, profunda, íntima.

Os finais de ano trazem-me sempre uma sensação estranha de solidão. Recapitulo espontaneamente o ano que passou. Aquilo que marcou mais uma passagem por este mundo.


Mas como diz a Marlee Grace: "YOU DO NOT HAVE 2 REFLECT OR PLAN. You can go your own way... I’d really like to just have today. I want to just be in today, pay attention to today, and have fun today."


Os planos são mapas. Mas acho que nunca fiz nenhuma viagem com o mapa na mão. (Está sempre guardado dentro da mala.)
Então, a minha única reflexão importante para este ano é só esta: quero mesmo continuar a nutrir esse prestar atenção ao hoje. Ao agora. O resto vai-se desvelando com o caminho.

Look both ways

On
September 07, 2021


Em jeito de diário, 


Tenho andado muita envolvida comigo. Não sei se é bom ou mau mas às tantas é apenas aquilo que é. 


Para o ano faço 40 anos e já ando a antecipar de alguma forma esse momento. Entre as minhas queixas, neuroses, irritações, coisas que me chateiam ou preocupam e tudo o resto que me traz paz, fico aí no meio, a tentar achar tudo espantoso porque se calhar é mesmo, eu é que ainda não cheguei lá.


Há um tempo qualquer para cada coisa. Um tempo que se ocupa de si sem que eu controle nada. Esta percepção colocou-me em contacto com uma liberdade que não conhecia. E então percebi que só me resta render-me a cada momento sem querer moldá-lo às ideias que tenha sobre ele. Não quero dizer com isto que já não me importo com nada. Quero dizer que os caminhos têm que ser feitos dentro, antes de poderem ser percorridos fora.


Portanto, agora sou uma exploradora, caminhante virtual, descobridora de percursos invisíveis. 


Nunca como antes dependi tanto de mim mesma. E isto é um susto. Mas nesse medo ou na consciência desse medo vão-se abrindo os tais caminhos. Deixo que me atravessem uma série de coisas que antigamente me esforçava imenso para mudar. Rendo-me (lá está!)!


Sempre tive muita força e isso por qualquer razão incapacitou-me de uma série de coisas. Achei que podia empurrar tudo com a barriga, que estava safa de melodramas, que tinha sempre escolhas e que nada era de facto irreversível. Enganei-me um bocadinho nalgumas coisas e por outro lado as outras pessoas acharam sempre que essa força me tornava destemida e invencível - o que não é verdade. 


Do outro lado da força existe uma sensibilidade muito grande que me destrona. Fisicamente, sinto-me muitas vezes ir ao chão. Mas é nesse ir ao chão que está uma grande beleza. (Demorei anos a aprender isto.) É nesse ir ao chão que sigo em direção às profundezas das coisas. 


Há sempre um medo muito grande em permitir-me sentir os vazios. Esforço-me muito. A todo o custo, para continuar a resolver tudo e a chegar a todo o lado porque uma parte de mim ainda está agarrada à crença de que não se consegue nada sem luta. Não é verdade. Na ausência de resistência constrói-se uma leveza. E eu busco isso.


Tenho metas e sonhos e coisas que gostava de concretizar mas cada vez mais vou sentido que é no que faço agora que está a maior poesia. Já não quero dizer "um dia de cada vez". Acho que prefiro "um minuto de cada vez", "uma hora de cada vez". Um dia é muito tempo. Porque essas ideias dão-me esperança e alegria mas também me sufocam. Porque sinto que se não chegar lá é porque devo ter falhado qualquer coisa. 


Vou-me então despojando destes artefactos emocionais que andei a cultivar toda a vida. Agarro-me a coisa nenhuma - como se estivesse no mar. E deixo que a vida me encontre. 


Não quero perseguir nada. Estou muito cansada de quem sou nesse lugar de constante apropriação de tudo o que me acontece ou deixa de acontecer. 


A única missão que tenho neste momento é: aprender a confiar.

Ninho - 10 de Junho de 2015

On
June 20, 2021


No outro dia encontrei um ninho.

Ninho é casa. Lugar de repouso. Representa a capacidade de acreditar no ambiente em volta. A capacidade de construir algo belo com os recursos disponíveis.

É impressionante para mim como é que animais livres como os pássaros, que estão sempre em permanente movimento e impermanência, também necessitam de uma casa. Um lugar para onde regressar. Um lugar de alimento construído com os seus pequenos bicos.

Talvez todos os animais precisem de um lugar para onde regressar.

Ninho é confiança: nos elementos, nas coisas fixas, nas coisas móveis, em si mesmo. 

Eu confio que há sempre um lugar à minha espera. Confio que a vida me vai dar sempre tudo aquilo que preciso. Algumas pessoas não nascem neste contexto – talvez a sua aprendizagem possa ser de outra espécie. Não sei.

A mim é o ninho que me ensina.

Slow

On
February 23, 2018

Começa um novo ano.
A vida organiza-se num ritmo só seu, que eu vou descobrindo como uma criança ainda. Com curiosidade e sentido de urgência.

Ir devagar significa muitas vezes aprender a Estar e aceitar que cada coisa tome o tempo que necessita, para lá da minha pressa ou da minha lentidão.
Eu acredito que o movimento Slow é o movimento do respeito pela velocidade própria do Ser. De outra forma, esta é apenas mais uma imposição.

Tenho estado ausente daqui precisamente porque necessito respeitar o que Sou neste momento. Mãe a tempo inteiro. Mãe sola durante uma grande parte do tempo (o meu companheiro vive noutro país). Tecedeira nas horas vagas. Mulher amante e companheira quando é possível.

No entanto, quero voltar a este espaço. Ele chama por mim. E eu tenho sentido que há muita coisa que tenho para dizer e para partilhar (coisa que podem fazer sentido fora de mim mesma :)).

Até breve!

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A new year starts.
Life organizes itself in its own rhythm. Something I figure out like a child. With curiosity and a sense of urgency.

Going slow means many times to learn how to Be and accept that each thing takes its own time. The time it needs behond my hurry or my slowness.
I believe that Slow movement is about respecting the velocity of the self. If you we do something else it becomes one more imposition.

I have been away from this space precisely because I need to respect who I Am right now. Full time mother. Single mom for most of the time (my partner lives abroad). Weaver when I can. Woman lover and partner whenever its possible.

However, I really want to return here. It calls for my presence. And I have been feeling that there's so much to say and share (things that might be important outside myself :)).

See you soon!