the hands show the way of the heart

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Não sei

On
October 29, 2023


Photo Bruno Grilo

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E se em vez de tentar ensinar coisas à minha filha eu estiver disposta a aprender?

Quando me permito uma certa inocência - sem julgamento de nada, sem acrescentar nada… numa postura de mãos vazias -, encontro um silêncio interno e uma paz. Porque percebo que não faz mal se eu não souber nada. Que é nesse não sei que eu descubro coisas novas e que realmente aprendo o que é necessário para evoluir.

Então, também não sei se me interessa conhecer ou saber muitas coisas.

Interessa-me aprender. E a única forma de aprender é começar por constatar que ainda não se sabe.

E a verdade do que se aprende, será relevante? Será que importa? Não andaremos todos um pouco à procura da verdade em que já acreditamos?!

Não quero ensinar coisas à Eva que ela não deseja aprender. Quero que ela aprenda o que ela quiser e acredite no que quiser e que seja feliz e que saiba ir ao seu próprio encontro. Mesmo que deixe de vir ao meu. Aceito isso.

Mães

On
September 14, 2022


"Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também. E um polvo. Um restaurante delivery. Uma máquina de chocolate prontinho. Uma mecânica de carrinhos de controle remoto. Uma médica de bonecas. Uma professora-terapeuta-cozinheira de carreira medíocre. Nasce uma fábrica de cafuné, um chafariz de soro fisiológico, um robô que desperta ao som de choro. E principalmente: nasce a fada do beijo.


Quando nasce um bebê, nasce também o medo da morte - mães não se conformam em deixar o mundo sem encaminhar devidamente um filho.
Não pense você que ao se tornar mãe uma mulher abandona todas as mulheres que já foi um dia. Bobagem. Ganha mais mulheres em si mesma. Com seus desejos aumentam sua audácia, sua garra, seus poderes. Se já era impossível, cuidado: ela vira muitas. Também não me venha imaginar mães como seres delicados e frágeis. Mães são fogo, ninguém segura. Se antes eram incapazes de matar um mosquito, adquirem uma fúria inédita. Montam guarda ao lado de suas crias, capazes de matar tudo o que zumbir perto delas: pernilongos, lagartas, leões, gente.
Mães não têm tempo para o ensaio: estreiam a peça no susto. Aprendem a pilotar o avião em pleno voo. E dão o exemplo, mesmo que nunca tenham sido exemplo. Cobrem seus filhos com o cobertor que lhes falta. E, não raro, depois de fazerem o impossível, acreditam que poderiam ter feito melhor. Nunca estarão prontas para a tarefa gigantesca que é criar um filho - alguém está?


Mente quem diz que mãe sente menos dor - pelo contrário! Ela apenas aprende a deixar sua dor para outra hora. Atira o seu choro no chão para ir acalentar o do filho. Nas horas vagas, dorme. Abastece a casa. Trabalha. Encontra os amigos. Lê - ou adormece com um livro no rosto. E, quando tem tempo pra chorar - cadê? -, passou. A mãe então aproveita que a casa está calma e vai recolher os brinquedos da sala. Como esse menino cresceu, ela pensa, a caminho do quarto do filho. Termina o dia exausta, sentada no chão da sala, acompanhada de um sorriso besta.
Já os filhos, ah Filhos fazem a mãe voltar os olhos para coisas que não importavam antes. O índice de umidade do ar. Os ingredientes do suco de caixinha. O nível de sódio do macarrão sem glúten. Onde fica a Guiné-Bissau. Os rumos da agricultura orgânica. As alternativas contra o aquecimento global. Política. E até sua própria saúde. Mães são mulheres ressuscitadas. Filhos as rejuvenescem, tornando a vida delas mais perigosa - e mais urgente.


Quando nasce um bebê, nasce uma empreiteira. Capaz de cavar a estrada quando não há caminho, só para poder indicar: É por ali, filho, naquela direção."

Parto

On
November 19, 2021


Talvez não sejam muitas as crianças que vêm ao mundo nas circunstâncias em que a Eva se deu à luz. Mas por um qualquer motivo, até hoje, nunca consegui escrever sobre isto do princípio ao fim. 

O nascimento da minha filha não foi traumático. Não me marcou de nenhuma forma negativa. Não me incapacitou de nada. Não me fez sentir só ou desamparada. Não me retirou poder. Não me roubou qualquer espécie de confiança.


No meu parto, eu servi apenas a Eva. E as restantes pessoas presentes serviram-me apenas a mim. Isso, tenho pena, parece ser um privilégio. 


Acho que ser mãe, desde que me lembro, é daquelas coisas que nunca duvidei que quis ser. E quando finalmente engravidei, eu estava pronta. Sabia exactamente o que queria e fiz tudo o que esteve ao meu alcance para conseguir ter um parto com o mínimo de instrumentalização possível. 


Com cerca de 8 meses disseram-me que com a minha Talassemia - anemia congénita - teria de ter o bebé no hospital. Na época vivia em Inglaterra e a minha ideia era ter o bebé num birth center. Telefonei para a minha médica em Lisboa e ela deu-me segurança dizendo que o meu corpo estava e está habituado a viver com anemia e que faria o meu parto em Lisboa caso fosse essa a minha escolha. 

Não pensei mais sobre o assunto. Metemo-nos num carro e viajámos durante uma semana. Cruzámo-nos com várias pessoas que achavam que eu teria o bebé a qualquer instante dado o tamanho da minha imensa barriga. Mas chegámos bem. E naquele momento parecia mesmo que a Eva estava também a apoiar a minha decisão.


Mentalizei-me que acontecesse o que acontecesse eu estaria disponível para receber a Eva sem anestesias, nem cortes, nem oxicitocina na veia. Vi documentários, li sobre o assunto, combati o medo da dor como pude. Sabia que ter confiança era só a ponta do icebergue e como tal sinto que fiz só uma pequena parte. O resto, deixei ir - entreguei ao mistério da vida.


As pessoas à minha volta diziam-me que não seria capaz e eu chegava a casa e fazia desenhos e afirmava para mim mesma que não havia nenhuma razão para não ser. Acreditei em mim e sobretudo acreditei que esta era a melhor maneira de ter a Eva. Eu ia dar-lhe isso. Ia dar-me isso. E ia ter fé no meu corpo. 

Mesmo que quando o momento chegasse desse tudo para o torto, até lá eu escolhia acreditar. 


A Eva foi um bebé grande e eu sou uma pessoa pequena. Tive no total 19 horas de trabalho de parto. Houve momentos em que achei que ia morrer e que não seria capaz. Duvidei de tudo o que previamente tinha acreditado. A dor era insuportável e parecia que estava a ser serrada em 2 (não estou a exagerar). É verdade que podia ter corrido tudo mal porque essa alternativa está sempre disponível. Mas o corpo permitiu. A Eva quis assim. E ao meu lado tive um homem que deu tudo dele - na mesma proporção que eu - para garantir que eu me sentia segura e absolutamente suportada nesse momento.


As pessoas que me acompanharam falaram baixinho. A luz era suave. E se houve algum momento de dúvida ou insegurança por parte de quem estava presente, ninguém o partilhou comigo. Tive as condições certas para poder estar o mais relaxada possível numa situação que à partida é bastante íntima, intensa, profundamente instintiva e até selvagem. 

A água ajudou. O pano pendurado no tecto ajudou. Não tocarem em mim sem o meu consentimento ajudou. Ter o Bruno presente ajudou. Poder beber água e comer ajudou. Dizerem-me que estava a fazer tudo bem ajudou. Confiarem em mim ajudou. Tirarem-me o cabelo dos olhos ajudou. Estarem apenas concentrados em mim ajudou. O silêncio ajudou. 


Talvez nunca tenha escrito sobre isto porque me sinto uma sortuda. E isso faz-me sentir um bocadinho envergonhada.  


Cada mulher deveria ter a possibilidade de desenhar o seu parto de sonho. Porque isto é tudo natural mas individualmente é uma experiência única e avassaladora. Que deixa marcas para sempre.


Quando estava quase a terminar e à medida que a dor ficava mais forte começou a correr um filme na minha cabeça. Sentia uma ligação. Uma empatia gigante. Como se a dor estivesse a abrir um espaço dentro de mim - não só para a Eva mas para outras coisas emergirem. Talvez pareça estranho e confuso mas eu estava só a surfar uma onda - cada contração era uma possibilidade de encontro: comigo, com a Eva, com todas as mulheres que já pariram. 


Naquele momento, estava tudo tão claro. Eu queria desistir mas não podia. Queria poder controlar qualquer coisa mas nada estava mais nas minhas mãos. A única coisa que era realmente importante era deixar-me atravessar pela experiência. Respirar. Gritar. Imaginar um mar que ia e vinha. Lembrar-me que a cada instante ficava mais próxima da minha filha. 


Não posso dizer que tenha sido fácil porque não foi. 

E não acho que as minhas circunstâncias pudessem ser as ideais para todas as mulheres. Mas foram as ideais para mim e por isso estarei sempre muito grata.


Há sempre um factor de risco, seja num parto domiciliar ou num parto hospitalar. 


Gostava que a minha experiência pudesse servir outras mulheres de forma positiva porque um parto na água não tem de ser uma excepção ou coisa de freacks. No meu ponto de vista deveria ser apenas mais uma possibilidade. 


No fim de contas acredito que todas escolhemos aquilo que nos faz sentir mais seguras. 

Eu fiz uma escolha e fui respeitada. 

Em qualquer situação, creio que isto é o mínimo que se pode dar ao outro.

For goodness sake

On
June 06, 2018

Quando era pequenina adormecia a rezar que queria ser a melhor pessoa que conseguisse.
Era assim como uma espécie de promessa que eu fazia todos os dias a mim mesma e aos outros.

Há cerca de 5 anos, numa viagem à Índia, percebi que essa promessa me limitava. Não por eu não querer continuar a ser uma boa pessoa. Mas porque finalmente percebi que achava que só o era se os outros também pensassem o mesmo.

Ser bom afinal implicava aprovação externa. E consequentemente, implicava também acreditar que era necessário tentar fazer sempre tudo bem para toda a gente gostar de mim – não necessariamente por aquilo que eu era, mas por aquilo que eu achava que os outros desejavam que eu fosse.

Nalgum momento também percebi que este "síndrome da boa rapariga" era muito muito antigo. E lembrei-me que tudo isto estava ligado apenas a uma coisa:

O desejo de ser amada. O desejo de ser aceite.

Quando somos pequeninos, vamos sendo condicionados a agir e a pensar de acordo com uma série de regras que a nossa família traz consigo e que quer transmitir-nos. Os Valores!
Esses valores variam de família para família e a forma como chegam até nós também varia. Ou seja, a forma como cada pessoa vivencía essas referências e se adapta a elas é muito pessoal.
No meu caso, por força do meu carácter, eu entendi que se fizesse sempre tudo bem as pessoas de quem eu gostava iam gostar mais de mim. E que se eu não fizesse sempre tudo bem eu não receberia o seu amor, aprovação, aceitação, carinho. 

A minha percepção de amor incondicional era extremamente condicionada. E ficou como que acoplada ao elogio. À ideia de que só há amor quando há perfeição.

Hoje em dia eu ainda me debato com estes "valores". E embora tenha incorporado na minha vida esta ideia de perfeição com muita tranquilidade. O que quero partilhar convosco, mais do que o que eu sinto em relação a tudo isto, é: o que mudou.
Que ferramentas é que eu uso para me preocupar menos em ser "a boa rapariga" e tentar cuidar da minha auto-estima de forma a que, nos momentos em que acham que eu não fui suficiente, eu consiga lembrar-me de 3 coisas:


- EU (quem é que eu Sou);
- CENTRO (conexão com o meu poder pessoal);
- AMOR (eu sou capaz de responder às situações a partir de um lugar de amor, por mim mesma e pelos outros).


Nem sempre consigo. Mas estes três mantras ajudam-me a voltar a mim. A não colocar o foco no outro. E apoiada pelos valores e pelas intenções que fui construindo, conecto-me com o que é importante para mim em cada momento. Sem despender a minha energia no que está certo ou errado. No bom ou no mau.


Todas as minhas acções têm consequências e nem sempre estas são previsíveis ou aquelas que eu gostaria. No entanto, como é que eu uso as minhas promessas para dar maior significado à minha vida e à dos outros? 


Hoje, sempre que consigo passar a perna ao meu ego, concentro-me nestes 3 aspectos de que vos falei. E abro mão do controlo.

Liberto a necessidade de ser amada e troco-a pela profunda crença de que EU SOU AMADA. SEMPRE. Nem que seja por mim mesma :) Com presença e com confiança.

Gostaria muito de saber como é que tu construíste as tuas crenças. Que valores são o teu norte? Quando parece que tudo à tua volta diz não, como é que tu dizes Sim?
Muito obrigada.

//

When I was little, I used to fall asleep praying to to be the best person I could.
It was a kind of promise that I was making to myself and to others every day. 

About five years ago, on a trip to India, I realized that this promise was keeping me stuck. Not because I don't want to continue to be a good person. But because I finally realized that I thought I was only good when others thought the same. Being good after all implied external approval. And consequently, it also implied that it was necessary to try to do everything right for everyone to like me - not necessarily for what I was, but for what I thought others wanted me to be. 

At some point I also realized that this "good girl syndrome" was very very old. And I remembered that all this was connected to only one thing: 

The desire to be loved. The desire to be accepted. 

When we are children we are conditioned to act and think according to a series of rules that our family brings with them and that they want to transmit to us. The values! These values ​​vary from family to family and the way they arrive to us also varies. Meaning the way each person lives these references and adapt to them is very personal. In my case, because of my character, I understood that if I always did well, the people I like would like me better. And that if I stopped doing everything right I would not receive their love, approval, acceptance, affection. 

My perception of unconditional love was extremely conditioned. And it was as if attached with the idea of receiving compliments. To the idea that there is only love when there is perfection. 

Nowadays I still struggle with these "values". And although I have incorporated into my life this concept of ​​perfection with great tranquility. What I want to share with you, more than what I feel about all this, is: what has changed. What tools do I use to worry less about being the "good girl" and trying to take care of my self-esteem so that at times when I think I have not been enough I can remember three things: 

- I (who I am); 
- CENTER (connection with my personal power); 
- LOVE (I am able to respond to situations from a place of love, for myself and others). 

I can't always do this. But these three mantras help me get back to me. Not to focus on the other. 
And supported by the values ​​and intentions I've been building, I connect myself with what's important to me in each moment. Without spending my energy on what is right or wrong. Nor good or bad. 

All my actions have consequences and these are not always predictable or as I would wish. However, how do I use my promises to give greater meaning to my life and to others? 

Today, whenever I can let go of my ego, I focus on these 3 aspects I have told you. And I give up control. I release the need to be loved and change it into the deep belief that I AM LOVED. ALWAYS. Even if just by myself :) With presence and with confidence. 

I would love to know how you built your beliefs. What values ​​are your north? When it seems like everything around you, no, how do you say Yes? Thank you.

Autoridade vs valor igual

On
May 22, 2018

Photo found at @Magic in the mundane

Numa conversa com a minha mãe percebi que aquilo que terá guiado a minha mãe no passado parece ser bastante diferente daquilo que me guia a mim neste preciso momento.

E foi importante para mim ter clareza, nesta viagem da maternidade, do que é que me guia exactamente. Para que direção eu quero ir. Apesar de toda a bagagem que trago dos meus pais, avós, tios e tias e até amigos.

Hoje eu sei que como mãe a minha intenção é ser porto de abrigo.

Eu não quero preparar a Eva para a vida porque eu não sei o que é que a vida Dela lhe reserva. Eu não quero educá-la com rigidez e autoridade porque quero que a minha relação com ela seja flexível, tolerante, compassiva, aberta.
Como mãe eu quero ser capaz de relacionar-me e conectar-me com a minha filha. Quero que possamos aprender a comunicar. Quero que ela seja exactamente a pessoa que ela tiver que ser. E que eu possa ser também exactamente a pessoa que sou. Quero construir respeito mútuo respeitando-a e aprendendo com ela.

A Eva tem o mesmo valor que eu.
O que ela pensa e sente e quer tem o mesmo valor que aquilo que eu penso, sinto e quero.

Por isso, o que eu posso dar-lhe neste momento em que ela ainda precisa tanto de atenção e de cuidado é proporcionar-lhe liberdade com direção. De forma a que ela possa entender e expressar o que quer mesmo que queira coisas muito diferentes de mim.

Por estas razões, quando alguém me diz: "ela não pode fazer só o que ela quer." eu tenho reais dificuldades em entender o que isso quererá dizer...
E questiono-me, será que quer dizer que ela deve fazer o que eu quero? 

Consequentemente é importante parar para pensar:
Para que é que isso me serviria? 
Será que se eu tivesse mais autoridade eu me sentiria mais forte e mais capaz? 
E ela, como se sentiria? 
Que tipo de adulto ela será se eu me preocupar mais em levar a água ao meu moinho do que em perceber o que está vivo e pulsante dentro dela?

A Mikaela Oven costuma perguntar: queremos que os nossos filhos sejam adultos obedientes? Ou queremos que eles tenham opiniões próprias e sentido crítico?

Um dia a minha filha vai crescer e vai continuar a precisar de mim de vez enquando tal como eu preciso dos meus pais ainda tantas vezes. Que bom será que ela nunca duvide que eu sou Mãe dela para sempre. Que a aceito sem julgamento, chantagens, manipulações. Que lhe digo que Não apenas quando não posso realmente dizer que Sim. Que sou capaz de lhe pedir desculpas e de a abraçar mesmo quando me zango... porque me apercebo que nem todas as vezes que me zango estou zangada com ela.

Na prática do dia-a-dia eu perco muitas vezes o norte e perco muitas vezes a paciência e já gritei muitas vezes e disse que não muitas vezes quando podia largar a situação e dizer "sim". No entanto, é bom saber o que me guia. É bom ter uma intenção!
E isto é uma tomada de consciência diária. Um trabalho constante para toda a vida que eu desejo fazer com ela e comigo mesma.

//

In a conversation with my mother I noticed that what has guided my mother in the past seems to be quite different from what guides me at this very moment.

And it was important for me to be clear, on this trip of motherhood, of what exactly guides me. In what direction I want to go. Despite all the luggage I bring from my parents, grandparents, uncles and aunts and even friends.

Today I know that as a mother my intention is to be a safe haven.

I do not want to prepare Eva for life because I do not know what Life she is supposed to live. I do not want to educate her with rigidity and authority because I want my relationship with her to be flexible, tolerant, compassionate, open.
As a mother I want to be able to relate to and connect with my daughter. I want us to learn how to communicate. I want her to be exactly the person she needs to be. And that I may also be exactly the person I am. I want to build mutual respect by respecting her and learning from it.

Eva has the same value as a person as me.
What she thinks and feels and wants has the same value as what I think, feel and want.

So what I can give her at this time when she still needs both attention and care is to provide her freedom with direction. So that she can understand and express what she wants even if she wants things that are very different from what I want.

For these reasons, when someone tells me, "she can not do only what she wants." I really struggle to understand what this means ...
And I wonder, does it mean that she should do what I want?

Consequently it is important to stop and think:
What would that serve me for?
Could it be that if I had more authority, I would feel stronger and more capable?
And how would she feel with this?
What kind of an adult will she be if I worry more about being right than observe what is alive inside her?

Mikaela Oven often asks: Do we want our children to be obedient adults? Or do we want them to have their own opinions and critical sense?

One day my daughter will grow up and will continue to need once in a while as I need my parents yet so many times. How good it will be that she never doubts that I am her Mother forever. That I accept her without judgment, blackmail, manipulations. That I tell her No only when I really can not say Yes. That I will apologize and hug her even when I get angry ... because I realize that not every time I get angry I'm angry with her.

In day-to-day practice I often miss out on this and often loose my patience. I had screamed at her many times and said No many times when I could just let things go and say "yes." However, it is good to know what guides me. It's good to have an intention!
And this is a daily awareness. A constant work for all my life that I wish to do with her and with myself.

Entangled

On
April 20, 2018



Quando os nós são maiores que os laços, eu procuro ajuda. E tu?



O que está fora de mim desfaz-me e constrói-me muitas vezes contra todas as regras de auto-preservação que eu própria fui criando.

Cá dentro eu sei que as respostas sempre lá estiveram. Mas as respostas às vezes precisam de alguém que faça as perguntas certas. Por isso, peço ajuda! (Grito, Ajuuuuda! Para o espaço, até.)


E, ela aparece!

No entanto, é importante dizer que nem sempre as coisas se mostram com a forma que eu espero ou desejo. 


Tenho de despojar-me do meu querido ego (que não é pequeno, acreditem) para conseguir reconhecer que a ajuda que aparece é exactamente aquela que pedi. E, uff! Aceitar. Deixar ir o sofrimento ao qual às vezes me apego tanto. Deixar de te ter pena de mim – que acaba por ser uma forma muito estranha de dar colinho a mim mesma – e Lutar! Não parar de lutar por aquilo em que acredito.



O que é isto de não parar de lutar?



Eu acredito que lutar é conseguir estar ligada aos meus valores essenciais. Reconhecer no meio do maior caos o que me guia. Qual é verdadeiramente o meu eixo.



Por exemplo, quando a minha filha não se quer vestir de manhã, pensar "será que é assim tão importante para mim que ela saia vestida de casa?". 

E não, de facto eu não faço ideia porque é que estou a julgá-la ou a querer que ela se vista... Quero que ela se vista! Apenas porque sim! Tal como ela também Quer estar nua! Apenas porque sim. 


Posso pensar: 

Mas ela ainda não tem 2 anos e não sabe o que quer realmente. Eu é que sou a adulta e sei o que é melhor para ela.


Hum... será que sei?!

É que às vezes eu não sei sequer muito bem o que é melhor para mim. Por isso, talvez eu possa expandir a minha forma de ver as coisas e dar-lhe oportunidade – tendo em conta que esta situação não tem risco nenhum para ela – de sentir, na pele dela, o que ela quer.


(Para quem está preocupado que ela se constipe eu devo dizer que em nenhum momento ela saiu nua para a rua.)



No entanto, hoje, eu abri mão do meu querido controle – porque afinal trata-se do corpo dela – e a Eva saiu De Casa nua. E de botas (por opção da própria). 

Desceu no elevador nua. Entrou na garagem nua. Fizemos todo o caminho de carro desta forma e quando abri a porta para sairmos tentei vesti-la novamente e tudo foi tranquilo. Ela sentiu finalmente o friozinho que vinha de fora e não mostrou qualquer resistência. 
Vestiu-se, antes de sair do carro.


Eu ganhei paz! E ela também.



O meu eixo, nesta situação tão do quotidiano, era apenas conquistar a minha paz. Não abrir mão dela. Lutar por isso sem medo do que algum vizinho que se cruzasse connosco pudesse pensar sobre mim como mãe. Perceber que ela não estava em risco de saúde porque continuava dentro do prédio o tempo inteiro. Ser capaz de não lhe cortar a liberdade apenas para levar a minha vontade para diante.



Claro que nem sempre as coisas são assim tão mundanas. 

É mais difícil perceber o que é essencial.


Além do mais, estar dentro de um novelo é confuso mas é quentinho. E, por mais estranho que pareça, às vezes sabe mesmo muito bem. Às vezes, a confusão e o sofrimento são lugares tão conhecidos e tão comuns que representam uma enorme segurança para alguns de nós que se habituaram a estar desta forma na vida.



Mas, para vocês que como eu se "habituaram" um bocadinho a tomar banhos de imersão na dor e na tristeza, o que vos quero dizer é: essa lã toda dá para fazer uma rica camisola :D Essa água toda dá para regar um jardim inteiro.  Bora colocar energia noutras coisas?



Por isso, hoje, como diz a Susana Rodrigues da Bless, ponho mais umas moedinhas na minha caixinha da gratidão, das coisas boas, dos encontros felizes que me lembram de quem sou. 

Dou valor à ajuda que aparece e recebo-a. De braços abertos. Tenha ela a forma que tiver!


//



When the knots are bigger than the ties. I seek for help. What about you? 


What is outside myself breaks me down and builds me up so many times against all self-preservation rules I created for myself.
Inside I know the answers were always there. But the answers sometimes need somebody else's to make the questions. So I seek for help! (Sometimes I screem Heeelllp! Even to the space.)


Ans it appears!

However, it's important to say that it not always shows itself in the way I expect or desire.


I have to let go of my sweet ego (that it isn't small, believe me) to be able to recognize that the help that shows up is exactly the one I needed. And... ahh! Accept. Let go of the suffering sometimes I get so much attached to. Stop feeling pity of myself – this seems to be a weird way of holding myself like a baby – and fight! Keep fighting for what I believe.



What is that of keep fighting?



I believe that fighting is a way of remaining connected to my essencial values. To recognize in the middle of cahos what is guiding me. What is my true axis.



For example, when my daughter doesn't want to put her clothes on in the morning think "is it that important that she leaves home with her clothes on?"

In fact, it isn't and I have no idea why I am judging her or wanting her to get dressed... I want that just because! And she wants what she wants just because.


I can think:

She's only 2 and she doesn't really know what she wants. I am the grown up and I know what is the best for her.


Humm... Do I?!

Because sometimes I don't even really know what is the best thing for myself. So maybe I can expand the way I look at things and give her a chance to feel, in her own skin, what she wants – having in mind that this situation does not present any risk to her.


(For those of you concerned about her health I need to say that at any moment she went outside naked.)



However, today, I let go of my precious control – because this is her body after all – and Eva left home naked. With her boots (by her own choice).

She went down the elevator. In the garage. All the way until school. Without her clothes. When we arrived there I opened the door and tried to dresser again. Everything was ok. She felt the fresh breeze coming in so she didn't offer any resistance. She got out of the car with her clothes on.


I won my piece! And she did the same.



My axis in this daily life situation was only to conquer my piece. Not give it away. Fight for it with no fear for other people thoughts about who am I as a mother. I realised she was safe because she was inside the building and the car the all time. And this way I didn't cut her freedom just to have it my way.



Of course that not always I am able to do the same.

Sometimes is really hard to connect with what is essencial.


Also, being entangled inside a yarn ball of stuff can be confusing but it is also warm. Sometimes it feels really good. Specially because many times confusion and suffering are very familiar places. So common that at some point they become a safety web for those like me that are really "used" to this way of living.



If you "like" to take long baths in pain and sadness what I want to say is: all of that yarn can make a really cool sweater :D All of that water can be used in an entire garden. Lets use this energy some place else, right?



So today like Susana Rodrigues from Bless says I put a little more money in my gratitude box. The box where I keep the good stuff. The happy encounters that remind me of who I am.

I thank for the help I get and receive it with open arms. Whatever the form that help has!