Hoje enquanto ouvia uma amiga falar sobre a necessidade de olhar para o todo fiz uma check list interna dos prós e contras de olharmos para o nosso próprio umbigo.
(Acho importante explorar esta coisa do egoísmo com mais profundidade.)
Não necessariamente deixamos de servir o todo por servir apenas a parte.
Acredito que ao focar a minha atenção em mim também estou a colaborar com o resto.
Não creio que a crítica do outro seja olhar para o próprio umbigo - parece-me ser precisamente o contrário. Quando eu coloco a minha atenção fora escudo-me de reflectir sobre as razões para ter tido a necessidade de criticar.
Achamos habitualmente que as pessoas que são egoístas são as que só pensam nelas próprias mas eu tenho chegado à conclusão de que se todos pensássemos mais em nós próprios talvez abrandássemos a necessidade de pensar tanto sobre os outros.
Quando eu decido não fazer nada estou numa ação. A ausência do movimento e a pausa também são escolha.
E a reação - aquela atitude "fight or flight" que está tão presente nos tempos que correm - exacerbada pelo medo, pelo desconforto e pela solidão, parece-me acima de tudo uma luta interior.
Na maior parte das vezes, quando acho que alguém está a ser egoísta, estou apenas triste e desapontada porque gostava que aquela pessoa tivesse as minhas necessidades em consideração (mas se for sincera comigo mesma, será que isto não é também um pouco egoísta da minha parte? :))
Estamos todos juntos num comboio em andamento. Nalgum momento podemos ter a tentação de pular fora e fazer o nosso caminho sozinhos - talvez a maior liberdade seja acreditar que essa possibilidade existe. Mas se estamos fora, mais cedo ou mais tarde, acabamos por perceber que ao sairmos de um lado estamos apenas a entrar noutro. Que esse fora e dentro são uma mesma coisa.
Cada vez mais me parece ilusório acreditar em dualidades. Achar que há diferenças reais entre as coisas quando o que muda é simplesmente a forma. Isto também se aplica a nós - humanos.
Não sei se devemos estar tão agarrados a definições de bom e de mau. Egoísta versus solidário, empático, compassivo. Digo isto estando eu bastante agarrada a muitos destes conceitos, ok?! Mas se tudo é amor - até o vazio. Até a ausência. Então o que sinto que está vivo em mim agora é: Sim! Olhar para o umbigo. Olhar para a parte. E nessa entrega, servir o todo.
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